quarta-feira, 27 de abril de 2011

LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES
O caminho “sem volta” para o sucesso


Artigo produzido por Luiz Fernando Magri
Consultor Sênior da Global On Consultores Associados


Em um mundo cada vez menor, o ritmo das mudanças é ditado pelo avanço tecnológico e pelos interesses econômicos e sociais do mercado.
Para sobreviver, as organizações se vêem forçadas a buscar um entendimento claro sobre o ritmo, intensidade e direção das mudanças, uma vez que, quando tais sinais não são compreendidos corretamente e a tempo, afetam negativamente o desempenho corporativo.

Dentro deste cenário, o exercício da liderança vem se tornado a chave para transformar,  através da ação dos colaboradores, os efeitos nocivos das mudanças em oportunidades de crescimento organizacional.
Atualmente, não há como não reconhecer a importância da liderança no desempenho das empresas, quer sejam elas públicas ou privadas, haja vista que este tema já ocupa uma posição de destaque nas discussões em organizações e eventos empresariais.

Inicialmente, é importante ressaltar que ao mencionarmos liderança, não devemos considerá-la como sendo sinônimo de uma relação hierárquica do tipo chefe / subordinado, e nem tão pouco circunscrita apenas ao âmbito corporativo.

Se por um instante, observarmos a nossa volta, veremos que a liderança está presente em todos os momentos de nossas vidas. Frequentemente, há sempre alguém procurando influenciar o comportamento de uma ou outra pessoa, ou mesmo de um grupo. De alguma forma, em um ou outro momento da vida, todos procuram exercer liderança, quer seja em atividades ligadas a uma empresa, a uma instituição educacional, a uma organização pública ou mesmo no seio familiar.

A liderança, ao contrario da chefia, não pode ser estabelecida ou determinada por uma pessoa à outra. A liderança é uma condição que necessita de aceitação, de reconhecimento e adesão do liderado, à figura e as idéias do líder, é a conquista de corações e mentes. O poder que o conduz os líderes a esta condição, não emana de nomeações, mas sim dos chamados “poderes pessoais”, oriundos de seus valores, reputação, competência, dedicação, visão e empatia. É extremamente desejável, por parte das empresas, que seus gerentes também se tornem líderes. Inclusive, há inúmeros casos de sucesso onde as duas condições (chefe e líder) coexistem harmoniosamente.

Uma energia valiosa

·    Você já percebeu que as pessoas que se envolvem com trabalhos voluntários, o fazem sem receber um centavo se quer, e com a maior disposição e alegria?
·    Quantas pessoas você conhece que trocaram de trabalho, para ganhar um salário melhor, e depois se arrependeram?

Perceba que estas questões têm um ponto em comum. Trata-se da presença ou ausência de uma energia que é capaz de modificar consideravelmente as reações do corpo e da mente:   A MOTIVAÇÃO.

Mas o que é a motivação?

Motivação é uma energia que nos impulsiona a fazer, despertada pela expectativa da obtenção de prazer (recompensa) com determinada atividade.
Sabemos hoje, devido a pesquisas na área comportamental, que determinadas recompensas não são capazes, isoladamente, de propiciar motivação ao indivíduo por longos períodos de tempo, ou seja, de forma contínua.
Na verdade, salários, promoções e benefícios em geral, têm potencial motivador limitado, pois, uma vez conquistadas, tais recompensas perdem, ao longo do tempo, sua capacidade de manter os níveis iniciais de motivação. Por outro lado, a sua ausência ou aplicação de forma injusta, é capaz de gerar desmotivação no indivíduo.
Estudos apontam que todas as recompensas, advindas da satisfação de necessidades de origem interna, tais como, pertencimento a grupos sociais, reconhecimento do indivíduo por feitos ligados a valores pessoais e auto-realização, são altamente motivadoras e têm caráter duradouro.

Liderança Eficaz

O principal objetivo de uma liderança eficaz é tornar o trabalho um caminho seguro para a realização pessoal do liderado e com isso, obter resultados sustentáveis para a organização.

Para que isso ocorra, o líder deve buscar o despertar da motivação, trabalhando a satisfação e realização nos liderados, através de ações permanentes que reforcem uma percepção verdadeira de que os mesmos:
ü  Estão sendo úteis e valiosos em seu trabalho;
ü  Estão sendo desafiados e tendo a chance de mostrar sua capacidade;
ü  São reconhecidos por seus feitos;
ü  São respeitados e aceitos com suas diferenças;
ü  Recebem apoio quando necessitam;
ü  Recebem responsabilidade à medida que amadurecem profissionalmente;
ü  Estão sendo capacitados (a empresa está investindo e apostando neles);
ü  São parte importante de uma equipe e esta se mostra vencedora;
ü  São tratados com equidade e de acordo com sua individualidade.*  
     *Não há nada mais desigual do que tratar igualmente pessoas que não são iguais. 
(Ken Blanchard, 2007)

Um dos pontos cruciais para o bom desempenho do líder reside na adaptabilidade de seu estilo de liderança ao grau de desenvolvimento de cada liderado. Muitas vezes, a mesma pessoa que apresenta certo grau de maturidade em uma determinada tarefa, passa a apresentar um grau inferior ou superior em outra, necessitando desta forma, que o líder utilize outro estilo de liderança, mais adequado a nova situação.
Somente pela empatia, o líder poderá desenvolver sua capacidade de diagnosticar e identificar o nível de maturidade do liderado e assim, através de um estilo apropriado de liderança, conduzi-lo a obtenção de melhores resultados.
Ao orientar o liderado, através de um processo de evolução e amadurecimento, o líder possibilita que ele passe a reagir com mais segurança e confiança à medida que novas situações se apresentarem.

Essencialmente, uma arte

Não é difícil perceber que o exercício da liderança eficaz é um processo que envolve descoberta e capacitação contínua de pessoas. Em essência, a liderança é a arte do relacionamento, que conduz as pessoas a um nível existencial mais elevado, as torna mais completas e felizes, e possibilita que retornem à sociedade, o que de melhor têm a oferecer.


REFERÊNCIAS

BLANCHARD, Ken. Liderança de alto nível / Ken Blanchard, colaboração de Marjorie Blanchard ... [et al]; Rosalia Neuman Garcia. Porto Alegre: Bookman, 2007.

FIEDLER, Fred E. A theory of Effectiveness. / Fred E. Fiedler. New York: McGraw-Hill Book Company, 1967.

FIORELLI, José Osmir. Psicologia para Administradores: Integrando teoria e pratica / José Osmir Fiorelli. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

HERSEY, Paul. BLANCHARD, Kenneth H. Psicologia para administradores: A teoria e as técnicas da liderança situacional. / Paul Hersey e Kenneth H. Blanchard; Tradução: Edwino A. Royer,  São Paulo: EPU, 1986.  

sábado, 2 de abril de 2011

Caso Wikileaks alerta empresas sobre riscos do vazamento de informações

Mais uma reportagem que destaca a importância das empresas em olharem para a informação como seu principal ativo!! E mais: o foco das organizações deve ser muito mais "na mudança de comportamento das pessoas" do que na tecnologia. 
 
A reportagem foi publicada no Valor OnLine em 01 de abril de 2011, intitulada “Caso Wikileaks alerta empresas sobre riscos do vazamento de informações”. Replico abaixo a reportagem, que pode ser acessada também pelo link
 
Abraços a todos!!
 
Caso Wikileaks alerta empresas sobre riscos do vazamento de informações
Janes Rocha | De Nice - 01/04/2011

Em 2010 o site de notícias Wikileaks protagonizou um dos episódios mais polêmicos do ano ao divulgar para o mundo documentos sigilosos vazados do governo americano. Para Mike Redding, diretor global da área de pesquisa e desenvolvimento da consultoria Accenture, o caso traz duas lições importantes para as empresas em termos de gerenciamento de informações internas.

Primeiro, é preciso pensar em distribuir as informações por camadas hierarquizadas desde o início do desenvolvimento dos sistemas. Segundo, é fundamental delimitar muito bem dentro da empresa quem vai ter acesso a quê.

"Embora ainda não tenhamos todos os dados disponíveis sobre o caso Wikileaks, pelo que tem sido divulgado o problema foi que havia um sujeito de um nível bem baixo na hierarquia militar que tinha acesso a muita informação que não precisava ter. Eles tinham, obviamente, um nível básico de segurança. Era uma abordagem simplista", afirmou.

Formado em engenharia elétrica e ciência da computação pela Universidade de Princeton nos EUA, Redding é especialista em gerenciamento de informações, comandando, de sua base em Chicago, nos Estados Unidos, os seis laboratórios de tecnologia da Accenture no mundo - San José (Califórnia), Reston (Virgínia), Chicago (Illinois), Sophia Antipolis (França), Bangalore (Índia) e Beijing (China).

Ele falou ao Valor no intervalo de uma apresentação para a imprensa internacional das pesquisas desenvolvidas pela Accenture em sua sede no polo tecnológico de Sophia Antipolis, nos arredores da cidade de Nice, na Costa Azul francesa.

Redding disse que o vazamento de informações dentro de uma organização não é um problema apenas dos governos em geral e das Forças Armadas. A situação dentro das empresas, segundo ele, é ainda pior. "Se um profissional precisa acessar 15 sistemas e possui senhas diferentes para cada um deles, ele vai acabar escrevendo isso em algum lugar para poder se lembrar", afirma. Esse comportamento torna o sistema vulnerável e, junto com a grande pressão dentro das companhias para tornar as coisas mais fáceis e ágeis, torna os controles frágeis. "É nesse momento que você começa a deixar dados disponíveis para quem não precisa vê-los", alerta Redding.

Na opinião do especialista, o problema da maioria das empresas é mais de organização do que de soluções puramente tecnológicas. É preciso tomar cuidados desde os mais simples, como prestar atenção a comportamentos estranhos dentro da empresa. "Por que aquele funcionário baixou centenas de milhares de documentos? Que tipo de trabalho ele faz que precisa de todas essas informações no seu computador?", diz.

Ele menciona outro exemplo, desta vez em uma empresa de seguros que tem um atendente que começa a acessar cadastros dos clientes além da média. "Se ele atende 200 chamadas e acessa 500 arquivos por dia, alguém precisa questionar o que está acontecendo", afirma.

O importante, segundo ele, é que as empresas fiquem atentas e procurem por comportamentos que fujam dos padrões para um setor ou um indivíduo. "Não significa necessariamente que haja algo errado, mas vamos checar".

terça-feira, 29 de março de 2011

Empresas ampliam áreas de Inteligência de Mercado

Muito interessante a reportagem publicada no Valor OnLine, em 21 de fevereiro de 2011, intitulada “Empresas ampliam áreas de inteligência de mercado”. Replico abaixo a reportagem, que pode ser acessada também pelo link http://www.valoronline.com.br/impresso/eu-carreira/108/386846/empresas-ampliam-areas-de-inteligencia-de-mercado?utm_source=newsletter&utm_medium=manha_21022011&utm_campaign=informativo

Como profissional ligado à área de Inteligência Estratégica, considero de fundamental relevância para as empresas a leitura e a reflexão sobre as possibilidades de ganho e de vantagem competitiva com a adoção de serviços e/ou implantação da atividade de IC.  

Abraços a todos!!

REPORTAGEM: EMPRESAS AMPLIAM ÁREAS DE INTELIGÊNCIA DE MERCADO
Vívian Soares | De São Paulo - 21/02/2011 - Ana Paula Paiva/Valor

Oportunidade: Departamentos de pesquisa crescem para entender as redes sociais e os novos consumidores. Com isso, aquecem o mercado para os profissionais especializados.

Uma área até pouco tempo inexistente nos organogramas das companhias começa a ganhar espaço: a inteligência de mercado. Com cerca de uma década de atuação nas empresas brasileiras, o setor cresceu nos últimos dois anos graças ao impacto das novas tecnologias, ao volume de informações geradas pelas redes sociais e à ascensão de novos consumidores no mercado interno. O resultado tem sido o aumento médio anual de 35% na contratação dos profissionais especializados, segundo estimativas dos headhunters ouvidos pelo Valor.

As equipes de pesquisa definem o que é relevante para a empresa e captam a informação, enquanto as de inteligência analisam os dados e os relacionam com o negócio. Ambas entraram em evidência recentemente nos setores de varejo, telecomunicações e bens de consumo.

É o caso da Johnson & Johnson que, no ano passado, deu status de diretoria à antiga gerência de pesquisa. Segundo Suzana Pamplona, diretora de pesquisa da empresa, a área vem crescendo e ganhando importância estratégica. "Nosso desafio é mostrar como o conhecimento do consumidor não apenas valida as ações do negócio, mas gera valor e oportunidades", afirma. Suzana ressalta que o destaque dessa área mostra que a empresa está se preparando para a entrada de novos consumidores e o impacto das novas tecnologias - o que deve gerar mais contratações na diretoria ainda este ano. "O crescimento da área de pesquisa está impulsionado pelo aumento do consumo interno. Precisamos conhecer cada vez esse mercado e os diferentes tipos de clientes", diz.

De acordo com Glenda Moreira, consultora da DM Executivos, as oportunidades para profissionais da área, normalmente vinculadas à diretoria de marketing, eram pontuais e concentradas em posições operacionais até o ano passado. Desde então, o recrutamento para executivos qualificados começou a crescer, dessa vez mais focado em posições de gestão. "As áreas de pesquisa e inteligência são estratégicas. Elas fornecem desde tendências de mercado até as ações dos concorrentes e dos consumidores."

Para Adriana Cambiaghi, gerente da Robert Half, a área de inteligência de mercado é uma das mais aquecidas dentro do marketing - e que deve registrar um dos melhores desempenhos em 2011. "As empresas estão começando a entender a importância disso para o negócio. Ainda há uma certa resistência a ouvir o que esses departamentos têm a dizer, mas isso tende a se dissipar", afirma.

"Grande parte do trabalho do profissional de pesquisa e inteligência é mostrar a relevância da área para a empresa", confirma a diretora de inteligência de mercado e consumidor da Vivo, Leda Kayano. No último ano, ela completou o quadro de profissionais para atuar em sua equipe, que hoje tem 11 pessoas.

A executiva afirma que, há alguns anos, a atuação nesse mercado se resumia à chamada inteligência competitiva, responsável por monitorar as ações dos concorrentes. "Hoje, nos pautamos por questões mais estratégicas como marca e relacionamento com os clientes", afirma.

A inclusão digital e a explosão de informações geradas nas redes sociais é, para Leda, um dos maiores pontos de atenção da equipe. "Não queremos só ouvir o que se fala da empresa, mas aliar o rigor técnico à tecnologia, inovar na captura da informação e desenvolver novas metodologias. Para isso, é preciso um novo perfil de profissional."

Na opinião de Paula Nader, superintendente executiva de identidade e gestão da marca do Santander, obter informações de públicos diferentes está entre as prioridades do time. "Um dos desafios é aprender a trazer dados de meios não convencionais de pesquisa de mercado como o twitter e os call centers", diz.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Como implantar um processo de Inteligência Competitiva em organizações

Artigo produzido por Frederico Cesar Mafra Pereira
Consultor Sênior da Global On Consultores Associados
Este artigo metodológico tem como objetivo apresentar, de forma sucinta, as principais fases de um processo de implantação efetiva de uma atividade de Inteligência Competitiva em organizações (IC). Com isso, o leitor será capaz de compreender tal processo, de forma objetiva e aplicada.

Introdução

A Inteligência Competitiva (IC) é uma atividade cada vez mais demandada pelas organizações, dada a necessidade de estarem sempre alertas ao que acontece em seu meio ambiente competitivo, de forma a não serem surpreendidas pelas ações dos diversos atores que influenciam seus negócios (clientes, concorrentes, fornecedores, governo, dentre outros). Dessa forma, seu principal papel é suportar a construção e revisão contínua dos cenários priorizados no processo de planejamento, identificando e analisando os sinais que prenunciam eventos cujas implicações impactem as estratégias e o posicionamento competitivo das empresas. Integrando o planejamento estratégico às atividades de marketing e de informação, a IC apresenta caráter multidisciplinar que envolve contribuições das áreas de Estratégia, Marketing, Tomada de Decisão, Ciência da Informação e Ciência da Computação.

Como um processo de coleta sistemática e ética de informações sobre as atividades dos concorrentes e tendências gerais do ambiente de negócios de uma empresa, a IC possui etapas básicas que são representadas no modelo denominado “Ciclo de Inteligência”: 1) Identificação das necessidades de informação; 2) Planejamento; 3) Coleta das informações; 4) Análise; 5) Disseminação e; 6) Avaliação.
Ciclo de Inteligência
Fonte: AMARAL et al., 2008.

Apesar do ciclo de inteligência ser uma das principais referências metodológicas da área de IC, ele se constitui em um arcabouço teórico que, na prática, não funciona da maneira unidirecional que se apresenta. Ou seja, um processo de estruturação e implantação de uma atividade de IC pode, inicialmente, ser baseado na metodologia do ciclo de inteligência, mas para ser aplicável, deve se adaptar ao processo de planejamento estratégico, aos objetivos do negócio e às expectativas da organização e/ou do setor de atuação. Muitas idas e vindas são necessárias para que o processo adquira o melhor formato, adequando-se à dinâmica do negócio, alinhando-se às demandas dos tomadores de decisão e gerando resultados eficazes.

O método proposto

Assim sendo, o primeiro passo de um processo para a implantação de uma atividade de IC deve ser a de entender o ambiente que envolve a organização, os atores e aspectos externos que influenciam na sua relação o setor de atuação e no desenvolvimento de seu negócio. Para tanto, deve ser utilizado o conceito de ambiente organizacional, o qual
... não é um conjunto estável, uniforme e disciplinado, mas um conjunto bastante dinâmico em que atua, constantemente, grande quantidade de forças, de diferentes dimensões e naturezas, em direções diferentes, e que muda a cada momento, pelo fato de cada uma dessas forças interferir, influenciar e interagir com as demais forças do ambiente. (OLIVEIRA, 2003)

O ambiente organizacional é caracterizado de diferentes maneiras por diversos autores, sendo que todas acabam refletindo os mesmos atores e variáveis[1].
O macroambiente é o ambiente mais amplo e genérico em que estão todas as organizações envolvidas direta ou indiretamente na atividade da organização... e este ambiente influencia de maneira semelhante todas as organizações. O setor de negócios é o setor específico de negócios da organização. É constituído por clientes ou consumidores, fornecedores, concorrentes e agências reguladoras... é o ambiente mais próximo e imediato da organização e é onde ela obtém seus recursos e coloca seus produtos e serviços. (CHIAVENATO e SAPIRO, 2003)
Ambiente organizacional
Fonte: Adaptado de CHIAVENATO e SAPIRO, 2003.


O segundo passo do processo é definir os usuários-chave a serem atendidos, bem como as suas necessidades de informação. Geralmente, a atividade de IC caracteriza-se como um projeto de cunho interno da empresa, com produtos que só são divulgados para os usuários em questão visando subsidiar suas decisões estratégicas[2]. As necessidades de informação dos usuários são identificadas a partir da compreensão de suas rotinas decisórias, as quais requerem embasamento de informações e análises mais aprofundadas. Tais necessidades informacionais representam, conceitualmente, as necessidades de inteligência destes usuários, e compõem a formatação dos tópicos-chave de inteligência, ou key intelligence topics (KITs) (HERRING, 1999). Os KITs proporcionam melhor foco e priorização dos esforços da atividade de inteligência para os temas informacionais considerados mais importantes pela organização e seus decisores, além de ajudarem na própria estruturação da atividade (número, perfil e habilidades requeridas dos profissionais de IC, tipos e quantidade de fontes de informação mínimas para suportar as necessidades de inteligência identificadas, tipos de produtos, etc.).

Portanto, a partir da realização de entrevistas individuais em profundidade (técnica exploratória qualitativa) junto aos decisores da empresa[3], e posteriormente sua análise, são definidos os KITs mais relevantes e indicados à proposta de estruturação da atividade de IC. Segundo Herring (1999), existem basicamente três categorias de KIT: 1) os tópicos de inteligência voltados a suportar as decisões estratégicas e táticas da organização (strategic decisions and actions); 2) os tópicos voltados à identificação e descrição de atores-chave do ambiente de negócios da organização (descriptions of the key-players) e; 3) os tópicos voltados ao monitoramento ambiental (early-warning topics). Para cada KIT devem ser descritos o tipo, seu objetivo específico, as questões-chave que devem ser respondidas (denominadas key intelligence questions, ou KIQs) e as ações e decisões suportadas.

A quarta etapa do processo refere-se à definição do portfólio de produtos de IC, os quais deverão apresentar características diferentes, mas ao mesmo tempo, complementares, em termos de periodicidade, foco, formato e até mesmo público-alvo.

Para a coleta das informações previstas em cada KIT, e conseqüentemente a elaboração dos produtos definidos, devem ser escolhidas fontes de informação consideradas as mais relevantes e confiáveis para a busca das informações de inteligência necessárias, bem como o próprio processo de coleta e filtragem das informações selecionadas[4]. A escolha das fontes deve se basear em levantamento prévio, considerando em primeiro lugar as principais publicações referentes a cada tema definido em cada KIT. Somadas a estas publicações, devem ser consideradas também as principais fontes citadas pelos decisores entrevistados como as mais utilizadas por eles na busca de informações para tomada de decisão e acompanhamento do ambiente de negócios.

Conclusões

A metodologia apresentada foi testada, inclusive, em organizações complexas, como Arranjos Produtivos Locais (APLs), e seu sucesso depende de alguns outros aspectos. Em primeiro lugar, o envolvimento e a crença da cúpula estratégica da empresa no projeto, desde o seu início, é fundamental para que o mesmo seja executado de forma completa, conseguindo gerar resultados práticos em pouco tempo. O feedback dos usuários das informações e produtos gerados pela inteligência também é fundamental para a consolidação da atividade e para o processo de avaliação contínua da IC.

Um terceiro ponto que pode potencializar um processo de IC refere-se à infraestrutura disponível para atividade (tecnologia e equipe). O ponto mais crítico relacionado à infraestrutura refere-se, com o passar do tempo, à necessidade de uma maior automatização do processo de coleta e organização das informações. Com o desenvolvimento natural que a atividade de IC acaba apresentando no futuro, é imprescindível o investimento em sistemas especializados de coleta e organização das informações, não só de fontes secundárias, mas também de fontes primárias (redes sociais).

Este último ponto que deve ser considerado como parte do processo de consolidação e avanço da atividade de IC. Já é notória a importância das informações obtidas via fontes primárias para o avanço e a melhoria do nível das informações e dos produtos de uma área de IC. Entretanto, a estruturação e a maneira mais correta de gerenciar as redes sociais e, principalmente, as informações que circulam nestas redes, é que têm se constituído em objeto de estudo e observação de diversos pesquisadores e empresas. Não se tem dúvida de que participar e tentar obter informações para inteligência via redes sociais deve ser o caminho a ser seguido pela atividade de IC; o que precisa ser bem estudado é “como fazer” este caminho de maneira menos teórica e mais pragmática.

Referências:
AMARAL, R.M., GARCIA, L.G., ALLIPRANDINI, D.H. Mapeamento e gestão de competências em inteligência competitiva. DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação. Rio de Janeiro, v.9, n.6, dez., 2008.
AUSTER, Ethel, CHOO, Chun Wei. How senior managers acquire and use information in environmental scanning. Information Processing and Management, v.30, n.5, p.607-618, 1994.
BAPTISTA, Sofia Galvão, CUNHA, Murilo Bastos. Estudo de usuários: visão global dos métodos de coleta de dados. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.12, n.2, p.168-184, maio/ago. 2007.
BARBOSA, Ricardo Rodrigues. Inteligência Empresarial: uma avaliação de fontes de informação sobre o ambiente organizacional externo. DataGramaZero – Revista de Ciência da Informação, Belo Horizonte, v.3, n.6, dezembro de 2002.
CHIAVENATO, Idalberto, SAPIRO, Arão. Planejamento Estratégico: fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
DAFT, R.L., SORMUNE, J., PARKS, D. Chief executive scanning, environmental characteristics, and company performance: an empirical study. Strategic Management Journal, v.9, n.2, p.123-139, 1988.
DEGENT, R.J. A importância estratégica e o funcionamento do serviço de inteligência empresarial. Revista de Administração de Empresas, v.26, n.1, p.77-83. jan/mar, 1986.
FREMONT, K. Scanning the future environment: social indicators. California Management Review, v.23, n.1, p.22-32, Fall, 1980.
GOMES, E.; BRAGA, F. Construção de um sistema de inteligência competitiva. In: STAREC, C.; GOMES, E.; CHAVES, J. B. L. (Orgs.). Gestão estratégia da informação e inteligência competitiva.  São Paulo: Saraiva, 2006. p. 111-123.
HERRING, Jan P. Key Intelligence Topics: A Process to Identify and Define Intelligence Needs. Competitive Intelligence Review, v.10(2), p.4-14, 1999.
HERRING, Jan P. Create an Intelligence Program for current and future business needs. Competitive Intelligence Magazine, v8, n.5, p.20-27, Sep-Oct, 2005.
KAHANER. L. Competitive intelligence: how to gather, analyze, and use information to move your business to the top. New York: Touchstone Books, 1998.
LODI, C. F. G. Planejamento por cenários e inteligência competitiva: integrando seus processos para tomar decisões estratégicas mais eficazes. In: STAREC, C.; GOMES, E.; CHAVES, J. B. L. (Orgs.). Gestão estratégia da informação e inteligência competitiva.  São Paulo: Saraiva, 2006. p. 111-123.
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Planejamento Estratégico: conceitos, metodologia, práticas. 19ª edição. São Paulo: Atlas, 2003.
TYSON, K. W. M. Competitor intelligence manual and guide. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1990.

[1] Vale destacar que o processo de definição e monitoramento de fontes deve estar sempre em constante avaliação, pois no dia-a-dia são verificadas possíveis novas fontes a serem agregadas ao trabalho de monitoramento, e outras podem ser removidas, caso as novas fontes consigam agregar mais informação ao processo.
[2] Entretanto, em algumas instituições de classe (como associações, sindicatos, federações, etc.), é possível desenvolver um processo de IC voltado para o público externo, ou seja, os associados, sindicalizados ou federados da instituição.
[3] Em estudos de usuários de informação, Baptista e Cunha (2007) destacam que a pesquisa qualitativa focaliza a atenção nas causas das reações dos usuários e na resolução de problemas informacionais, além dos aspectos subjetivos da experiência e do comportamento humano, com um enfoque mais holístico do que o método quantitativo de pesquisa.
[4] Degent (1986), Daft, Sormune e Parks (1988), Auster e Choo (1994), Barbosa (2002), Fremont (1980), Chiavenato e Sapiro (2003).

sexta-feira, 18 de março de 2011

Os tipos existentes de estratégia para uma organização


Artigo produzido por Frederico Cesar Mafra Pereira
Consultor Sênior da Global On Consultores Associados
Este artigo teórico tem como objetivo apresentar, de forma geral, o conceito de estratégia utilizado no âmbito das organizações, e seus subtipos.  Com isso, o leitor será capaz de compreender melhor tais tipos de estratégias, principalmente quando esta estiver em fase de elaboração (ou revisão) de seu planejamento estratégico.

A definição do conceito de estratégia, no contexto empresarial, é algo já muito difundido e discutido entre teóricos, consultores e profissionais do mercado. Entretanto, quando se parte efetivamente para um processo de elaboração de estratégias (planejamento estratégico), as organizações e seus decisores se deparam com algumas “confusões conceituais”, principalmente no momento de definirem as estratégias organizacionais relacionadas aos mais diferentes níveis de sua hierarquia funcional e/ou de poder decisório.

Mas, “começando do início...”, o que significa, afinal, estratégia?

Oliveira (2003) define estratégia como “... um caminho, ou maneira, ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente, de maneira diferenciada, os desafios e objetivos estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente”.

Portanto, a finalidade da estratégia é estabelecer os caminhos necessários para que a empresa alcance os objetivos previstos no seu planejamento. Diz respeito ao posicionamento que uma organização deseja ter para obter vantagem competitiva. Envolve escolhas a respeito de quais setores deve atuar, de quais produtos e serviços deve oferecer, e de como deve alocar seus diversos recursos corporativos (financeiros, humanos, tecnológicos, de infraestrutura, etc.), tendo em vista a minimização de seus problemas e a maximização das oportunidades de mercado.

Uma estratégia bem formulada ajuda a empresa a se organizar e a alocar seus recursos em prol de uma postura viável e, de preferência, diferenciada, baseada em suas competências e deficiências internas, e nas mudanças e tendências que conseguir antecipar no seu ambiente de negócios.

O termo “estratégia” vem do grego “strategos”, e significa, literalmente, a “arte do general”. “Importada” do contexto militar, a estratégia hoje é, intuitivamente, bem compreendida no contexto empresarial em seu sentido mais amplo, mas apresenta ainda dificuldade de entendimento quando exige, de seus formuladores, um olhar mais aprofundado sobre os níveis e subtipos existentes, os quais guardam diferenças fundamentais de significado, escopo, profundidade, de formulação e de possibilidade de implementação.

Os tipos de estratégias existentes

De forma geral, existem três tipos (ou níveis) de estratégias organizacionais, as quais devem ser formuladas e implementadas de maneira interrelacionada:

·      Estratégia Corporativa: refere-se ao primeiro nível de definição estratégica, e determina as áreas de negócio da empresa, que devem conduzi-la a ingressar ou a sair de um setor, a fim de que tenha um leque de negócios equilibrados.
Quando da formulação de sua estratégia corporativa, a empresa deve buscar responder à seguinte questão central: “Como alcançarmos nossa visão estratégica, e em quais negócios devemos atuar?”

·      Estratégia Competitiva: refere-se ao segundo nível de definição estratégica, e determina quais os movimentos de mercado a empresa deve realizar para posicionar-se favoravelmente diante de seus concorrentes, em um dado setor.
Quando da formulação de sua(s) estratégia(s) competitiva(s), a empresa deve buscar responder à seguinte questão central: “Como devemos competir nos negócios escolhidos?”

·      Estratégia Funcional: refere-se ao terceiro nível de definição estratégica, e determina as atividades, projetos e planos de ação necessários para a execução operacional das estratégias corporativa e competitiva(s) definidas.
Quando da formulação de suas estratégias funcionais, a empresa deve buscar responder à seguinte questão central: “Como cada área /unidade deve agir para implementar as estratégias corporativa e competitiva(s) definidas?”

A figura a seguir ilustra os três tipos de estratégias existentes em uma organização, considerando a divisão clássica organizacional nos níveis “estratégico”, “tático” e “operacional”.

Fonte: Desenvolvido pelo autor.

Conclusões

Para os responsáveis pela formulação de planos e tomada de decisão, mais importante do que compreender o conceito genérico de estratégia, é conhecer seus subtipos e aplicá-los num processo de planejamento estratégico que reflita, em cada nível organizacional, os objetivos, metas, procedimentos e responsabilidades necessárias para que a empresa alcance o que foi planejado, além de permitir um eficaz processo de controle e acompanhamento das estratégias propostas em cada nível organizacional.

Referências
BETHLEM, Agricola de Souza. Estratégia Empresarial: conceitos, processo e administração estratégica. São Paulo: Editora Atlas, 2002.
CHIAVENATO, I. & SAPIRO, A. Planejamento Estratégico – fundamentos e aplicações. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2003.
JULIO, Carlos Alberto. A arte da estratégia: pense grande, comece pequeno e cresça rápido. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.
KLUYVER, Cornelis A. de & PEARCE II, John A. Estratégia: uma visão executiva. 2ª edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.
LARENZA, Ademir (org.) Estratégias Empresariais – pesquisas e casos brasileiros. São Paulo: Saint Paul Editora, 2008.
OLIVEIRA, Djalma de Pinho Rebouças de. Planejamento Estratégico: conceitos, metodologia, práticas. São Paulo: Editora Atlas, 1986.
PORTER, Michael. Estratégia Competitiva. 2ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
TAVARES, Mauro Calixta. Gestão Estratégica. 2ª edição; São Paulo: Editora Atlas, 2007.
WRIGHT, Peter, KROLL, Mark J., PARNELL, John. Administração Estratégica – Conceitos. São Paulo: Editora Atlas, 2007.