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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Julho de 2013

Os dados macroeconômicos do mês de julho mostram a consolidação das expectativas do mercado de que o PIB brasileiro ficará abaixo dos 2,50% neste ano, enquanto que a inflação deverá ficar perto do teto da meta estipulada pelo governo. Este boletim concorda com a visão de alguns analistas de que a inflação, neste momento, está se mostrando muito mais influenciada pela oferta do que pela demanda. Em outras palavras, a falta de infraestrutura e o alto custo de produção no Brasil tem influenciado de forma muito mais forte a inflação do que a pressão pelo lado do consumo. De qualquer forma, parece também que a decisão do COPOM de aumentar a SELIC nas últimas reuniões tem tido efeito na desaceleração da inflação nos últimos 2 meses. O Dólar deve fechar o ano, de fato, acima de R$2,30, e este também tem sido um componente importante na pressão inflacionária do período. As expectativas para agosto ficam por conta da próxima reunião do COPOM e a decisão sobre a nova taxa de juros SELIC.
 
  • Boletim Focus continua reduzindo estimativa do PIB em 2013: De acordo com o último Boletim Focus de julho, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2013, de 2,34% no início do mês, para 2,24% no final do mês. Para 2014, a projeção também apresentou redução de 2,80% para 2,60%.
  • Momento é crítico para a economia do país, diz chefe da Casa Civil: Em conversa com prefeitos de cidades do Paraná atingidas por fortes chuvas em julho, a Ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) minimizou as vaias recebidas pela presidente Dilma Rouseff, diante da decisão do governo de não aumentar os repasses da União ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Alegando que a presidente “não ficou chateada”, Gleisi disse haver um “erro de interpretação” por parte dos prefeitos. O “erro” estaria na indisposição dos prefeitos de não compreenderem como gesto positivo o repasse de R$ 3 bilhões anunciado pela presidente para custeio das prefeituras neste ano, ao invés de reformar o fundo, como pediam os executivos municipais. Os prefeitos queriam um aumento de pelo menos um ponto percentual no FPM. A reforma permanente na composição do FPM poderia resultar em um repasse anual extra de R$ 2,7 bilhões para os municípios. O gesto renderia, segundo Gleisi, um desequilíbrio nas contas da União. “Estamos passando por um momento muito crítico nas finanças federais e na economia do país”, justificou. O FPM é abastecido principalmente com recursos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – principal arma do Palácio do Planalto contra a crise econômica. A mudança na composição do fundo significaria risco fiscal para as contas do governo em 2013, avalia Gleisi. “Por mais que tenhamos uma política econômica anticíclica, com o Estado fazendo investimentos e aumentando gastos, temos limitação. Temos impacto na arrecadação”, diz. “Estamos passando por um momento muito crítico nas finanças federais e na economia do país”, afirma. O repasse de R$ 3 bilhões será possível por meio de um ajuste orçamentário que o Planalto deve fazer para manter a contas da União no azul. Vamos ter de fazer um corte maior no orçamento para poder ajustar esses R$ 3 bilhões. Já íamos fazer um corte para justar despesas e vamos precisar fazer um corte maior”, sinaliza. Gleisi avalia como difícil a tarefa de “equilibrar as balanças” do superávit fiscal e, paralelamente, “colocar dinheiro na economia”. Apesar do reconhecimento público da cúpula do Palácio do Planalto sobre o estágio difícil da economia brasileira, cuja perspectiva é pessimista para o Produto Interno Bruto (PIB), a Ministra recusou conselhos do Fundo Monetário Internacional (FMI). O fundo revisou para baixo a previsão de crescimento do PIB brasileiro para 2013, o que despertou críticas da Ministra ao receituário do órgão internacional. “Toda vez que aceitamos conselhos do fundo, tivemos recessão, desemprego e políticas públicas que não davam conta da demanda da população”, afirma.
  • Cai o investimento em infraestrutura: A expectativa de que os investimentos em infraestrutura decolem em 2013 no País não deve se confirmar. Nos primeiros três meses do ano, R$ 14,8 bilhões foram destinados ao setor, um recuo de 4,5% frente ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento feito pela Inter. B Consultoria. Apesar da aproximação da Copa do Mundo, a concentração de leilões de concessão de rodovias, ferrovias e aeroportos no fim do ano adiará para 2014 os desembolsos mais significativos para a área. "Se alguém esperava que 2013 fosse o ano da arrancada, pode esquecer", diz o economista Cláudio Frischtak, sócio da consultoria e um dos responsáveis pelo estudo que cruza dados públicos de investimento federal, de empresas estatais, estaduais, autarquias e empresas privadas na área de infraestrutura. Isso inclui segmentos em energia elétrica, telecomunicações, rodovias, ferrovias, metrô, aeroportos, portos, hidrovias e saneamento. Em nota, o Ministério do Planejamento contestou o estudo sob alegação de que o investimento público no setor alcançou R$ 54,7 bilhões até maio, cifra que representa um crescimento de 4,5% sobre o ano passado. O governo alega que o investimento do setor privado cresceu quatro vezes mais do que o Produto Interno Bruto (PIB) desde 2007. Para a Inter.B Consultoria, a diferença se deve, principalmente, ao fato do estudo não contabilizar investimentos no setor de óleo e gás. Só no 1º trimestre, o orçamento da Petrobrás foi de R$ 19,8 bilhões. Além disso, o dado do governo incluiu mais dois meses na contagem. Os dados fechados pela equipe da Inter.B mostram que o investimento em infraestrutura atingiu 2,29% do PIB nominal em 2012 – ou R$ 100,6 bilhões em números absolutos. O resultado foi um avanço de 0,20 ponto percentual em comparação a 2011, mas ainda está longe dos 2,46% do PIB de 2008, ano de maior investimento relativo no setor desde o início do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A julgar pelos dados de janeiro a março, em 2013 não haverá aumento da fatia do PIB destinada ao setor. As obras da Copa e o fraco crescimento do PIB tiveram efeitos importantes na recuperação dos números de 2012. O programa de concessões do governo Dilma Rousseff também ajudou, com o início dos aportes privados e da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO) nos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. Apesar de admitir que os investimentos costumam se acelerar ao longo do ano, Frischtak alerta que o 2º semestre reserva apenas uma corrida administrativa do governo para acelerar os leilões de rodovias, ferrovias e aeroportos. "Vai ser apenas uma preparação para os investimentos em 2014", diz o economista.
  • Previsão para SELIC 2013 continua em 9,25%: ao ano: Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de julho, a taxa SELIC deve ficar em 9,25% em 2013 (mesmo valor em relação à projeção feita no início do mês). Para 2014, a projeção também se manteve em 9,25%. Ou seja, vai se confirmando a expectativa de que haja, pelo menos, mais um aumento da SELIC ainda em 2013. A próxima reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) está marcada para 27 e 28 de agosto.
  • Alta da SELIC na última reunião coloca o Brasil como 2º do mundo em juros reais: A elevação da taxa básica de juros (SELIC) ocorrida na última reunião do COPOM colocou o Brasil na 2ª colocação do ranking de juros reais do mundo, segundo levantamento feito pelo site MoneYou, que considera as taxas praticadas em 40 países. Considerando-se as taxas de juros atuais dessas nações, descontadas a inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa de juros reais brasileira, de 2,5%, está atrás apenas da China, com 2,9%. Em termos nominais, o Brasil ocupa a 3ª colocação, atrás de Venezuela e Argentina, com taxas de 15,63% e 11,38%, respectivamente. O levantamento do MoneYou mostra ainda que, se o COPOM tivesse optado por um aumento da SELIC de 1 ponto percentual, o Brasil estaria no topo da lista dos maiores pagadores de juros reais, com 3,00%.
  • Inflação medida pelo IPCA desacelera fortemente para 0,03% em julho: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou variação positiva de 0,03% em julho, bem abaixo da taxa registrada em junho, que foi de 0,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o menor valor para o índice desde julho de 2010, quando o IPCA ficou em 0,01%. O IPCA acumula altas de 3,18% no ano (ainda acima dos 2,76% identificados em 2012) e de 6,27% nos últimos 12 meses, o que situa o indicador oficial de inflação no País acima do teto da meta de 6,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Continuando em desaceleração, o grupo ‘Alimentação e Bebidas’ foi de 0,04% em junho para -0,33% em julho, com impacto de -0,08 ponto percentual no resultado geral do IPCA. Desde julho de 2011 não ocorria deflação no grupo de ‘Alimentos e Bebidas’. Entretanto, o maior impacto no índice em julho veio do grupo ‘Transportes’, que apresentou deflação de -0,66%, maior que o grupo ‘Alimentos e Bebidas’, exercendo impacto de -0,13 ponto percentual no IPCA de julho. Outro grupo que apresentou forte deflação no mês foi ‘Vestuário’, com índice de -0,39%, e impacto de -0,03 ponto percentual no IPCA. Em contrapartida, o grupo ‘Despesas Pessoais’ foi o que apresentou maior variação positiva, com inflação de 1,13% em julho, impactando em 0,12 ponto percentual o IPCA do mês. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de julho, o IPCA deve ficar em 5,75% em 2013 (a projeção feita no início do mês era de 5,81%). Para 2014, a projeção está em 5,87% (no início do mês era de 5,90%).
  • Indicadores mostram inflação brasileira imune ao aumento dos juros: Indicadores de variação de preços relativos aos meses de junho e julho apontam para uma mudança de rota na inflação no 2º semestre deste ano. Em vez da tão debatida inflação de demanda, que vem justificando o ciclo de alta da taxa básica de juros pelo Banco Central, o que já está presente nas estatísticas dos preços no atacado é a inflação de custos, cujo antídoto nada tem a ver com a alta da SELIC, como ressalta a professora da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Laura Barbosa de Carvalho. "Tentar cortar a demanda é o que, definitivamente, não funciona", alerta. Entre as principais altas nas variações de preços na porta de fábrica, medidas pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - cuja taxa passou de 0,24% para 1,33% de maio para junho -, destaca-se a contribuição de itens que têm os preços diretamente influenciados pelo aumento de custos, sobretudo, pelo Dólar. O câmbio interfere principalmente os preços dos produtos químicos, que têm ainda o agravante de funcionar como contaminadores do restante da cadeia produtiva. A indústria química é a 2ª em importância na formação do Produto Interno Bruto (PIB) industrial e fornecedora de matéria-prima para a maioria dos produtores, da agricultura ao aeroespacial. Manoel Campos Souza Neto, analista socioeconômico do IBGE, aponta os químicos como 2º principal responsável pela forte aceleração do IPP de junho, atrás apenas dos alimentos. Mas eles não são os únicos contaminados pelo câmbio. Também os preços de itens de informática e de papel e celulose estão no rol de segmentos que tiveram os custos elevados por utilizar e muitos componentes importados na fabricação e que repassaram a alta para os consumidores. Já em julho, o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV), revela altas expressivas no atacado, também motivadas pelo câmbio. Os preços dos químicos orgânicos aceleraram de -1,32% em junho para 1,94% no mês passado. Neste grupo estão, por exemplo, os fertilizantes, insumo agrícola. Os químicos inorgânicos, como o plástico utilizado na embalagem de uma infinidade de produtos, teve o indicador acelerado de 0,66% para 1,02%. "O avanço das taxas é explicado, quase na totalidade, pelo câmbio", diz André Braz, economista do IBRE/FGV. O IGP-M traz ainda a contaminação dos preços do querosene de aviação (de -2,98% para 3,52%), de computadores (de -0,56% para 0,46%) e da celulose (de 2,21% para 3,38%). "A influência do câmbio ganhou mais peso em julho, na inflação de alguns produtos no atacado,mas ainda não aparece como uma contribuição definitiva na totalidade do IGP-M", ressalta Braz. Laura, da FGV-SP, salienta que, na verdade, a economia brasileira é marcada pelos custos há muitas décadas. Por causa da indexação de contratos, dos reajustes salariais, da utilização em larga escala de insumos importados e também do câmbio, esse é um fenômeno típico da inflação brasileira. Ela discorda da análise de muitos economistas de que a demanda desenfreada compromete o crescimento econômico. Em sua opinião, os que defendem o remédio da alta de juros e de políticas fiscais mais severas baseiam suas análises em projeções de crescimento potencial da economia pouco factíveis, revistas frequentemente, sem muitos fundamentos técnicos. Apesar de ser uma característica da inflação, diz ela, neste início de semestre, a alta do Dólar contribuiu para intensificar ainda mais o peso dos custos na inflação. Mas, em sua opinião, a alta dos juros não é a melhor solução nesse caso. Ela indica a desindexação de contratos, embora reconheça que seja uma medida de baixa popularidade, porque, em um primeiro momento poderá frustrar as expectativas de melhores ganhos por parte de trabalhadores ou de empresários. Na indústria química, a alta do Dólar já foi em parte repassada para os preços dos produtos, informa a Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM). Fernando Figueiredo, presidente da entidade, ressalta que não foi possível repassar toda a valorização, por causa do atual estágio de economia enfraquecida e retração da demanda. Ainda assim, o segmento foi favorecido com a baixa do Real, por causa da retração da concorrência de produtos importados, o que impede que as empresas atuem com margens comprimidas.
  • Inflação medida pelo IGP-M desacelera de 0,75% em junho para 0,26% em julho: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou julho em 0,26%, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O resultado do IGP-M de julho ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas. Com isso, o acumulado em 2013 está em 2,01%, e nos últimos 12 meses, o índice está em 5,18%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de julho, o IGP-M deve ficar em 4,69% em 2013 (a projeção feita no início do mês era de 4,88%). Para 2014, a projeção está em 5,50% (no início do mês era de 5,40%).
  • Dólar fechou julho em R$ 2,2820: O Dólar encerrou o mês de julho beirando os R$ 2,30. A cotação de 31 de julho foi de R$ 2,2820, ante R$ 2,2310, verificada no início do mês. Foi o 3º mês consecutivo de elevação da moeda americana frente ao Real. O Euro fechou julho a R$3,0452, ante R$ 2,9122, verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, em julho o Dólar apresentou ganho de +2,28%, e no ano, até agora, acumula alta de +11,53%, liderando o ranking de investimento de 2013. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de julho, é de R$2,25 (no início do mês era de R$ 2,20). Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,30 (no início do mês era de R$ 2,22). Ou seja, confirmam-se as previsões deste boletim de que as projeções deverão sofrer ajustes para cima, com base no comportamento atual do câmbio para o período futuro.
  • O que explica a valorização do Dólar nos últimos meses?: A valorização do Dólar tem ocorrido principalmente pela incerteza do mercado sobre em qual momento o Federal Reserve - FED, o banco central dos Estados Unidos, vai reduzir os estímulos da economia americana. "Ainda há uma visão de que em algum momento as taxas de juros vão subir nos Estados Unidos, o que provoca uma fuga dos investidores (do Brasil)", afirmou Michael Viriato, professor do Insper. "Há muita volatilidade no mercado. É difícil dizer se há uma tendência de desvalorização da moeda brasileira." A saída de investidores tem afetado o desempenho da Bolsa neste ano. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (IBOVESPA) já caiu 20,86% em 2013 e está na lanterna do ranking de investimentos no país. No mês passado, porém, veio um alívio: o Ibovespa avançou 1,64%, a primeira alta da Bolsa neste ano. Em parte, a recuperação ocorreu justamente pela indicação de que o FED não deve retirar os estímulos tão rápido como o mercado esperava. "Houve uma recuperação em função de o FED dar o indicativo de que ele não vai retirar esses estímulos tão rapidamente, o que acabou favorecendo a Bolsa", disse Fabio Colombo, administrador de investimentos. Além da turbulência internacional, a Bolsa brasileira tem sido prejudicada pelo cenário macroeconômico ruim. As previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano estão próximas de 2%. Em julho, a boa notícia para o investidor foi a menor pressão inflacionária. O cenário de investimento do mês passado também foi marcado por um bom desempenho dos fundos DI, que superaram a poupança nova. As aplicações a juros foram favorecidas pelo aumento da SELIC, de 8% ao ano para 8,5% ao ano. "Mas, analisando numa escala mais ampla, a inflação continua rodando na faixa de 6%. Para uma SELIC de 8,5%, a perspectiva de ganho continua ruim para o investidor que aposta na renda fixa quando são descontados a taxa de administração e o Imposto de Renda das aplicações", afirmou Colombo. O momento de incerteza no cenário de investimentos reforça a tese de diversificação, segundo Colombo. "O investidor não pode colocar todos os ovos na mesma cesta. Quem é extremamente conservador deve procurar aplicações com custos baixos. É preciso batalhar pelos custos e pesquisar bastante", afirmou. Na avaliação do professor do Insper, o mercado acionário pode trazer ganhos interessantes por causa da forte queda do Ibovespa em 2013. "Uma queda de 20% no mercado acionário brasileiro ainda é muito forte. O resultado das empresas pode trazer números pouco agradáveis, o que ainda deve pressionar a Bolsa brasileira. Mas grande parte desses resultados já está refletida no preço das ações", afirmou Viriato. "Continuo acreditando que a Bolsa pode melhorar até o fim deste ano”.
  • Número de famílias endividadas chega a 65,2% em julho: O endividamento das famílias em julho voltou a crescer na comparação com junho e chegou a 65,2%. Em junho o percentual era 63% quando houve recuo em relação a maio (64,3%). Este foi o 2º maior resultado da série, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual de famílias com dívidas ou contas em atraso, ou inadimplentes, aumentou tanto em relação ao mês anterior como na comparação com o mesmo período de 2012, ao chegar a 22,4% em julho. Foi o maior percentual nos últimos 12 meses. Em junho foram registradas 20,3% de famílias inadimplentes e em julho de 2012, 21%. A proporção das famílias que se declararam muito endividadas aumentou pelo 5º mês consecutivo, alcançando 13,3%, embora menor que a proporção de julho de 2012, que foi de 14,1%. O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso apresentou trajetória semelhante, alcançando 7,4% em julho de 2013, na comparação com 7,2% em junho e 7,3% em julho do ano passado. Apesar da alta e da tendência recente de crescimento do número de famílias endividadas, a pesquisa revela que a percepção das famílias em relação às dívidas e à capacidade de pagamento ainda está em patamares favoráveis. O estudo diz ainda que o comportamento positivo deve-se ao “leve arrefecimento da inflação e mercado de trabalho ainda aquecido, entre outros fatores que proporcionam condições positivas para os indicadores de inadimplência”. Os tipos de dívidas mais comuns foram: cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo, prestação de carro e seguro. O cartão de crédito foi apontado como um dos principais tipos de dívida por 75,2% das famílias endividadas, seguido por carnês, para 17,9%, e, em terceiro, por financiamento de carro, para 12,1%.
  • Brasil gerou 123.836 novos empregos formais em junho: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a junho de 2013, foram criados no Brasil 123.836 novas vagas de emprego com carteira assinada, equivalente a uma expansão de 0,31% no estoque de assalariados com carteira assinada do mês anterior. No acumulado do ano de 2013, os dados mostram um acréscimo de 826.168 novos empregos formais. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 1.016.432 postos de trabalho. O comportamento do mês de junho originou-se da expansão de todos os oito setores de atividade econômica, com destaque para: a Agricultura, com +59.019 novos postos (ou +3,65%), em função da presença de fatores sazonais; os Serviços, com +44.022 novos postos (ou +0,27%), revelando saldo superior à média de 2003 a 2012 (+42.706 postos), e mostrando uma reação quando comparado com os resultados do mesmo mês do ano anterior (+30.141 postos) e com relação ao mês de maio de 2013 (+21.154 postos); o Comércio, com +8.330 novos postos (ou +0,09%); a Indústria de Transformação, com +7.922 novos postos (ou + 0,09%); e a Construção Civil, com +2.092 novos postos (ou +0,07%), que apresentou resultado menor quando comparado com o mesmo mês do ano anterior (+4.244 postos), mas indicando uma melhora em relação ao mês de maio, quando registrou variação negativa de -1.877 postos, ou -0,06%.
  • Taxa de desemprego é de 6,0% em junho, segundo o IBGE: A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nas seis principais regiões metropolitanas do país, ficou em 6,0% em junho, 0,2 ponto percentual acima da taxa verificada em maio. Em comparação a junho de 2012, a taxa apresentou variação positiva de 0,1 ponto percentual.
  • Pesquisa aponta que emprego deve crescer no 2º semestre de 2013: O coordenador da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Estadual de Análise de Dados (SEADE), Alexandre Loloian, acredita que a oferta de vagas de emprego deve crescer no 2º semestre deste ano. Segundo ele, o mercado de trabalho, em geral, fica mais aquecido nos últimos seis meses do ano em comparação ao 1º semestre. O economista destacou que a situação encontrada pela PED no mês de junho não foi tão ruim em comparação aos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) da Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A economista do Dieese, Ana Maria Belavenuto, também prevê reação do mercado nos próximos meses. Para ela, a política de desoneração fiscal para as empresas vai sustentar a oferta de vagas. De acordo com a PED, a taxa de desemprego recuou em junho, passando de 11,2% em maio para 10,9% da População Economicamente Ativa (PEA) no conjunto das sete regiões metropolitanas avaliadas. Entre os 39 municípios da região metropolitana de São Paulo, o índice alcançou 11,3% em junho, ante 11,4% em maio. Em junho do ano passado, a taxa ficou em 11,2% e, no mesmo mês de 2011, 11%. O menor indicador foi registrado em 1989, quando alcançou 9,7%.
  • Produção industrial avança 1,9% em junho: Em junho de 2013, a produção industrial nacional avançou 1,9% em relação ao mês imediatamente anterior, após registrar expansão de 1,8% em abril e queda de 1,8% em maio. Assim, os índices do setor industrial para o fechamento do 2º trimestre de 2013 foram positivos tanto no confronto com igual período do ano anterior (4,3%), como na comparação com o 1º trimestre (1,1%). No índice acumulado nos seis primeiros meses de 2013, a atividade industrial avançou 1,9% frente a igual período do ano anterior. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, ao mostrar variação de 0,2% em junho de 2013, manteve a trajetória ascendente iniciada em dezembro do ano passado (-2,6%), e assinalou o 1º resultado positivo desde dezembro de 2011 (0,4%). A expansão no ritmo da atividade industrial em junho teve perfil generalizado de taxas positivas, com três das quatro categorias de uso e 22 dos 27 ramos pesquisados apontando avanço na produção. Entre as atividades, as principais influências positivas foram assinaladas por farmacêutica (8,8%), máquinas e equipamentos (3,2%), outros equipamentos de transporte (8,3%) e veículos automotores (2,0%). Entre as cinco atividades que reduziram a produção nesse mês, o desempenho de maior importância para a média global foi registrado por refino de petróleo e produção de álcool (-4,1%) que devolveu parte da expansão de 6,5% acumulada entre março e maio.
  • Aumento na expectativa de vida do brasileiro preocupa Previdência: A expectativa de vida do brasileiro cresceu 11,24 anos entre 1980 e 2010, mas os dados positivos sobre a esperança de vida da população divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para problemas antigos que deverão se agravar nas próximas décadas. A preocupação principal, assim como apontam especialistas, é a política previdenciária brasileira, que precisará de atenção especial do Legislativo e do Executivo para não desencadear um colapso financeiro. O déficit da Previdência Social atingiu no fim de 2012 R$ 42,3 bilhões, alta de 9% em relação a dezembro de 2011, quando a conta ficou negativa em R$ 38,8 bilhões. Apenas no mês de junho deste ano, o déficit nas contas da Previdência chegou a R$ 3,2 bilhões, frente aos R$ 2,9 bilhões contabilizados no mesmo mês de 2012 — alta de 7,8%. Segundo o especialista em Direito Previdenciário, André Viz, apenas o fator previdenciário, em vigor desde 1999 no Brasil, não será suficiente para conter o saldo negativo nos cofres do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). “A previdência vai precisar se readequar para absorver na folha de pagamento novos aposentados que receberão do Estado por mais tempo. O fator previdenciário criou certo equilíbrio nas contas da União, mas não será suficiente para custear essa nova demanda. Políticas restritivas, além da ampliação da arrecadação, deverão ser implementadas pelo governo para fazer com que a conta feche no azul”, conclui. De acordo com a pesquisa, o Brasil terá mais idosos vivendo por mais tempo, mas especialistas destacam a falta de políticas públicas específicas para o novo perfil da população. O cenário da terceira idade, sobretudo no Brasil, vive carências históricas que não entram nas pautas do Legislativo. De acordo com Sérgio Camargo, especialista em previdência social, o Brasil vai experimentar, nos próximos anos, os resultados da omissão aos idosos, que serão maioria no país. “A pesquisa do IBGE constata que o Brasil foi impactado de maneira positiva com os efeitos do avanço mundial na tecnologia e, consequentemente, no avanço da medicina em seus diversos aspectos, o que contribui para que a população viva mais e melhor. Entretanto, o governo não conseguiu traduzir estes números em investimentos eficazes de políticas públicas em saúde, educação, lazer, assistência social, dentre tantas outras necessárias, para sem a interferência internacional, alcançar o mesmo resultado”, afirma. A região Nordeste foi a que registrou o maior crescimento na taxa de expectativa de vida em 30 anos, com aumento de 13 anos. Em todas as regiões e estados do país, o IBGE constatou acréscimos na esperança de vida ao nascer. No Brasil, em 2010, a esperança de vida ao nascer era de 73 anos, 9 meses e 3 dias, revelando um acréscimo de 11 anos, 2 meses e 27 dias em comparação com 1980, quando o índice era de 62,52 anos. Mesmo sendo destaque principal no levantamento, o Nordeste, segundo Camargo, não recebeu a atenção necessária para, de fato, despontar em estatísticas positivas. “De forma paliativa, as políticas públicas para o Nordeste implicaram no aumento da expectativa de vida, mas não no avanço da região como um todo. O Nordeste tornou-se foco de preocupação não apenas do governo brasileiro, mas de diversas entidades internacionais, o que de certo dificulta saber o que realmente resultou da aplicação do que se quer chamar de políticas públicas específicas para a região”, complementa. De acordo com o levantamento, moradores da Região Sul registraram a maior taxa de expectativa de vida, podendo viver até 75,84 anos. Em seguida, vem o Sudeste, com 75,40 anos. Na terceira posição está o Centro-Oeste, com 73,64 anos. O Nordeste ficou em quarto, com 71,20 anos e, na última posição, está o Norte, com 70,76 anos. No Rio de Janeiro, estado que a pesquisa aponta para expectativa de vida 9,9 anos maior, a preocupação do governo estadual se transformou, no início deste ano, em mais uma pasta, voltada para a crescente população idosa. “Somos uma secretaria nova que pretende, com a expectativa de vida maior, focar em políticas públicas para cuidar dessa faixa da população. Este ano a receita total para investimentos em projetos específicos é de R$ 9 milhões, mas com perspectivas financeiras muito superiores para 2014”, diz Marcus Vinícius Neskau, secretario estadual de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida. Para atender à população idosa no país, o Ministério da Saúde criou, em 2006, de acordo com as recomendações da Organização das Nações Unidas (OMS), a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa que promove, entre outras diretrizes, políticas públicas de atenção à saúde, além de programas que incentivam a educação.
 

domingo, 2 de junho de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Abril e Maio de 2013

O governo, enfim, se rendeu ao óbvio, e aumentou a taxa SELIC para 8,0%, em defesa da estabilidade econômica e combate à inflação. Por outro lado, os dados do 1º trimestre do PIB brasileiro ficaram abaixo da expectativa, o que ajuda a construir um cenário macroeconômico de pressão inflacionária, taxas de juros em alta, e baixo crescimento, tudo o que o governo não queria, mas que poderia ter evitado há mais tempo. O Dólar, que vinha se mantendo no patamar de R$ 2,00 há vários meses, fechou o maio em R$ 2,1430, principalmente devido às boas notícias vindas do mercado americano.
  • PIB cresce 0,6% no 1º tri de 2013, menos do que o esperado pelo mercado e pelo governo: Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o PIB cresceu 0,6% no 1º trimestre em relação aos últimos três meses de 2012, chegando ao valor de R$ 1,11 trilhão. Os economistas esperavam um número maior, perto de 1%, mas acabou ficando no piso das projeções, que estavam entre 0,6% e 1,1%. Isso significa que a economia manteve exatamente o mesmo ritmo de crescimento registrado no último trimestre do ano passado (0,6%). Como um todo o PIB melhorou, mas foi puxado, principalmente, pela Agropecuária e pelos Investimentos, que cresceram 9,7% 4,6%, respectivamente. A Indústria teve queda de 0,3%, e os Serviços, que têm maior peso, avançaram ‘apenas’ 0,5%. Segundo o IBGE, o consumo das famílias cresceu só 0,1%, enquanto o do governo ficou estável. Segundo o IBGE, o PIB acumula crescimento de 1,2% em 12 meses em relação aos quatro trimestres anteriores. Em relação ao 1º trimestre de 2012, o crescimento é de 1,9%.
  • Boletim Focus reduz novamente estimativa do PIB em 2013 para 2,77%: De acordo com o último Boletim Focus de maio, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2013, de 3,00% no início do mês, para 2,77% no final do mês. Para 2014, a projeção também caiu, de 3,50% para 3,40%. O governo, que em março acreditava em crescimento de 4%, já admite baixo desempenho para este ano, e com a decisão (pelo menos aparente) de priorizar o combate da inflação, a tendência é que a economia tenha que ser trabalhada não sob o viés do crescimento via consumo, mas com investimento produtivo e ampliação da oferta.
  • Banco Mundial prevê que Brasil crescerá menos que a América Latina em 2013: A região da América Latina e do Caribe deverá crescer 3,5% neste ano, ante alta de 3% no ano passado, mas ainda ficará abaixo da média de 5% observada antes da crise de 2008 e 2009 ou de 6% em 2010, prevê o Banco Mundial, em seu relatório semestral. O banco projeta que o Brasil e a Argentina deverão ter crescimento abaixo da média regional em 2013, em torno de 3%, superando, porém, a taxa de crescimento de 2%, em 2012. Segundo o relatório, estão diminuindo os ventos globais favoráveis que facilitaram o crescimento econômico robusto e a inclusão social na América Latina e Caribe na última década. O banco destaca ainda que o novo contexto global — de excesso de liquidez, crescimento mais lento na China, atividade econômica fraca e dívida pública elevada no mundo desenvolvido— aponta para a necessidade de a América Latina fazer mais por conta própria, a fim de voltar às taxas de crescimento semelhantes às taxas registradas na última década. Ele afirmou que a ênfase política está mudando dos motores externos para motores de crescimento interno, e das preocupações com a estabilidade macroeconômica e financeira para reformas de estímulo à produtividade. "À medida que os ventos globais favoráveis diminuem, a capacidade dos países da América Latina para crescer acima de 3,5% depende essencialmente deles mesmos”. O relatório observa que as conquistas da América Latina e Caribe na década de 2000 foram significativas, incluindo a estabilidade macroeconômica, crescimento sólido, redução da pobreza e uma distribuição de renda mais justa. De acordo com o Banco Mundial, o desafio para a política econômica daqui para frente é "preservar e trabalhar sobre os ganhos passados, consolidando os dividendos de um crescimento com inclusão social, e fazer isso sem a ajuda de ventos favoráveis globais".
  • COPOM aumenta, pela 2ª vez consecutiva, a taxa de juros SELIC para 8% ao ano: O Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros – a SELIC – de 7,5% para 8,0% ao ano, na última reunião realizada em 28 e 29 de maio. O motivo, segundo nota, foi a inflação, que tem sido motivo de preocupação da equipe econômica nos últimos meses. "O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse a nota. Tal decisão veio confirmar as análises deste boletim, iniciadas há quase um ano atrás, de que a autoridade monetária teria que aumentar, em algum momento, a taxa de juros básica da economia para segurar a inflação. A decisão foi tomada por unanimidade entre os membros do COPOM. Na reunião anterior, em 17 de abril, dois dos oito integrantes do Comitê votaram pela manutenção da taxa em 7,25% ao ano. Esta última alta, a 2ª consecutiva, ocorre no mesmo dia em que foi divulgado que economia brasileira cresceu abaixo do esperado no 1º trimestre de 2013. Na reunião de abril, o Comitê já havia indicado que a inflação preocupava não só pelo índice como pela dispersão – ou seja, pela quantidade de itens que registravam alta. Ainda assim, havia uma aposta de que "incertezas" na economia do Brasil, e principalmente, no cenário externo, reduziria a pressão sobre os preços, o que acabou não se confirmando como esperado. Em nota, a Força Sindical avaliou que a decisão do COPOM "acende o sinal de alerta para os trabalhadores porque, embora os índices mostrem bom nível de emprego, elevar a taxa SELIC contribuirá para a redução de investimentos no setor produtivo, obrigando o governo a pagar mais juros para investidores”. Ao contrário da Força Sindical, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FECOMERCIO-SP) apoiou a decisão do COPOM. "O BC acertou duplamente ao elevar a SELIC em 0,5 ponto percentual: indicou atenção ao patamar atual e à trajetória da inflação e cautela em promover um ajuste gradual da taxa", afirmou, em nota. A próxima reunião do COPOM está marcada para 9 e 10 de julho. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de maio, a taxa SELIC deve ficar em 8,50% em 2013 (0,25 ponto percentual acima da projeção feita no início do mês). Para 2014, a projeção também está em 8,50% (no início do mês era de 8,25%). Ou seja, a expectativa é de que haja, pelo menos, mais um aumento da SELIC ainda em 2013. Outro fato importante foi a mostra do Presidente do Banco Central de que o foco de entidade deve ser, prioritariamente, o controle da inflação e da moeda, e não um instrumento de política do governo, como estava acontecendo até então.
  • IPCA-15 de maio fica em 0,46% e acumula 3,06% em 2013: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial brasileira, apresentou variação de 0,46% em maio e ficou abaixo da taxa de 0,51% registrada em abril. Em 2013, o IPCA-15 apresenta valor acumulado de 3,06%, bem acima da taxa de 2,39% relativa a igual período de 2012, o que justifica a preocupação do mercado e do próprio governo com a persistência da inflação neste ano. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA-15 situou-se em 6,46%, descendo dos 6,51% presentes nos 12 meses imediatamente anteriores. Os grupos ‘Saúde e Cuidados Pessoais’, ‘Vestuário’ e ‘Habitação’ tiveram os maiores impactos no IPCA-15 (1,30, 0,76 e 0,72 ponto percentual, respectivamente). Os remédios, em especial, com 0,10 ponto percentual, lideraram os principais impactos do mês. Já o grupo ‘Alimentos e Bebidas’ (que tem sido o grande vilão da inflação nos últimos meses), embora tenham aumentado 0,47%, mostraram forte recuo em relação a abril, quando a alta havia sido de 1,00%, e contribuíram fortemente para a queda do índice em maio.
  • Inflação medida pelo IGP-M ficou estável em maio, em 0,00%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou o 5º mês de 2013 em 0,00%, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com isso, o acumulado em 2013 está em 0,9936%, e nos últimos 12 meses, o índice está em 6,2160%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de maio, o IGP-M deve ficar em 4,27% em 2013 (a projeção feita no início do mês era de 4,75%). Para 2014, a projeção está em 5,30% (no início do mês era de 5,28%).
  • Dólar fechou maio em R$ 2,1430: O Dólar encerrou o 5º mês do ano acima de R$ 2,00. A cotação de 31 de maio foi de R$ 2,1430, ante R$ 2,0100 verificada no início do mês. O Euro fechou maio a R$ 2,7676, ante R$ 2,6258 verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, apresentou em maio ganho de +6,61%, e no ano, até agora, acumula ganho de +4,74%. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de maio, é de R$ 2,05. Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,10. O Banco Central (BC) manteve-se longe dos negócios. Profissionais do mercado citaram que, aparentemente, a autoridade monetária está disposta a permitir um Dólar em patamares mais altos. O movimento de alta no Brasil acompanha o avanço da moeda americana no exterior, onde o Dólar sobe ante boa parte das divisas com elevada correlação com commodities e em relação ao Euro. Os dados positivos divulgados nos Estados Unidos – aumento do índice de confiança do consumidor americano - têm motivado a busca pelo Dólar, em meio à percepção de que, com a economia americana se recuperando, aumentam as chances de que o Federal Reserve (FDE, o banco central do país) reduza o programa de compra de bônus. Com as boas notícias, os principais índices de ações em Nova York e na Europa subiram, enquanto o Dólar se fortaleceu com a perspectiva de que, numa economia em recuperação, os estímulos do FED podem ser retirados no futuro próximo. Isso, nas últimas semanas, tem fortalecido a moeda americana. No Brasil, mesmo com o Dólar acima de R$ 2,07, o BC não entrou no mercado — o que poderia ocorrer, conforme alguns analistas, por meio de leilão de swap cambial tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro). A decisão do Comitê de Política Monetária (COPOM) sobre a SELIC traz um ingrediente adicional para os negócios. Apesar de o BC, na visão de alguns profissionais, estar confortável com um Dólar mais alto, já que o controle preferencial da inflação será feito via SELIC, ainda há certa preocupação com a alta da moeda americana.
  • Brasileiros têm endividamento recorde no 1º trimestre: O endividamento dos brasileiros com o sistema financeiro nacional bateu novo recorde ao final do 1º trimestre de 2013. Segundo o Banco Central, as dívidas das famílias correspondiam, em março, a 43,99% da renda anual. Em fevereiro, recorde anterior, o índice estava em 43,79%. No fim do 1º trimestre de 2012, era de 42,37%. Segundo o BC, parte do aumento do endividamento nos últimos anos está ligada ao crédito habitacional. Se forem excluídas as dívidas com a compra de imóveis, o endividamento fica em 30,48% da renda em março, ante 30,54% em fevereiro. Em março do ano passado, estava em 31,17%. Ao divulgar os dados sobre o crédito em abril, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que muitas famílias estão substituindo o pagamento do aluguel (que não entra na estatística da instituição sobre dívidas) pelo financiamento habitacional, um endividamento de longo prazo, com juros mais baixos e que significa aumento de patrimônio. O BC também divulgou números sobre o comprometimento de renda dos brasileiros, que considera dados mensais de renda e prestações pagas aos bancos. As prestações correspondiam, no 3º mês do ano, a 21,66% da renda mensal dos trabalhadores, ante 21,84% em fevereiro (dado revisado). Também houve queda em relação a março de 2012, quando o comprometimento estava em 22,91% da renda. Se forem retirados da conta os financiamentos habitacionais, o comprometimento da renda mensal fica em 20,06% em março de 2013, ante 20,24% em fevereiro.
  • Brasil criou 196.913 vagas de trabalho em abril: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a abril de 2013, foram criados no Brasil, 196.913 novas vagas de emprego com carteira assinada, expansão de 0,49% na comparação com março, mantendo a trajetória de expansão, e constituindo-se no maior saldo do emprego desde maio de 2012. Nos últimos 12 meses, o índice registrou a criação de 1.087.410 postos de trabalho, correspondendo à elevação de 2,79% no contingente de empregados celetistas do país. No acumulado do ano, o mercado teve um acréscimo de 549.064 novas vagas. Na análise mensal, houve elevação em todos os oito setores de atividade econômica analisados. Em números absolutos, o destaque ficou com Serviços, com 75.220 novas vagas de trabalho, seguido da Indústria de Transformação (+40.603 novos postos), da Construção Civil (+32.921 novos postos) e da Agricultura (+24.807 novas vagas).
  • Taxa de desemprego atinge 5,8% em abril, segundo o IBGE: A taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País, ficou em 5,8% em abril, ante 5,7% em março. O resultado veio no teto do intervalo das estimativas colhidas pelo AE Projeções, que iam de 5,5% a 5,8%, com mediana de 5,6%. A taxa é a menor para um mês de abril desde o início da série histórica, em março de 2002. Em relação a março deste ano, a população ocupada caiu 0,1% e, ante abril de 2012, avançou 0,9%.
  • “Economia dos EUA nunca mais será a mesma”: A época de ouro vivida pelos Estados Unidos antes do início da crise econômica em 2008, não deverá mais voltar, de acordo com Tharcisio Souza Santos, diretor do MBA executivo da FAAP, especialista em economia internacional. A afirmação do diretor é pautada pela comparação com a economia britânica nos anos 20, após o Tratado de Versalhes, acordo de paz na Europa, que colocou fim oficialmente à primeira Guerra Mundial. "O ano de 2008 nos Estados Unidos é o 1919 dos ingleses. Devagar, depois do tratado, o império financeiro do mundo, em Londres, foi passando para Nova York. O mesmo irá acontecer com os Estados Unidos, que deixará de ser a potência econômica para a China e nunca mais voltarão a ser como antes", explica o professor. No entanto, ele destaca que os americanos continuarão a ser poderosos em pesquisa, organização e armamento, mas "a economia da China irá ultrapassá-los na metade da próxima década", pontua. A declaração veio após uma análise sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos no 1º trimestre. A primeira estimativa do Produto Interno Bruto da maior economia do mundo teve expansão de 2,5%, contra crescimento de 0,4% no 4º trimestre de 2012, impulsionada pelo aumento de 3,2% no consumo das famílias (contra 1,8% no trimestre anterior), pela alta de 2,9% nas exportações (ante -2,8% no último trimestre de 2012) e pelo expressivo crescimento dos investimentos do setor privado (12,3%, contra 1,3% no trimestre imediatamente anterior). No entanto, o valor ainda ficou abaixo das expectativas, que previam crescimento de 3,2%. A melhora foi limitada por causa dos gastos do governo com consumo e investimento, que caíram 4,1% (vindo de uma queda de 7% no 4º trimestre de 2012) por conta da forte contração dos gastos com a defesa, cuja queda foi de 11,5%. "Esse resultado reflete o ajuste fiscal iniciado pelo governo norte-americano no ano fiscal de 2013, que prevê um corte de US$ 85 bilhões no orçamento, sendo metade desse total deduzido exatamente do orçamento destinado ao Departamento de Defesa", aponta o analista da Concórdia, Flávio Combat, em relatório. Na opinião do professor, a presença militar americana nos outros países será cada vez menor, por conta da redução dos investimentos e também porque "o americano já está cansado deste cenário". Desta maneira, os gastos do governo já não serão mais uma das molas propulsoras do crescimento do país, mas sim os investimentos do setor privado. "Os americanos continuarão liderando as pesquisas de inovações, educação e saúde, mas manterão seu ritmo de crescimento entre 2,5% e 3%", diz Santos, que projeta expansão para este ano entre 1,5% e 2%. No que se refere à questão fiscal, Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, apresentou ao Congresso um plano de gastos de US$ 3,8 trilhões para o próximo ano, que já contempla uma série de medidas para conter o aumento de gastos com saúde e seguridade social. No entanto, para conseguir esses cortes, a Casa Branca prevê aumento da tributação sobre as famílias mais ricas e sobre as empresas, propostas incisivamente combatidas pelos republicanos. "O aumento de impostos sobre os mais ricos e empresas é parte fundamental do ajuste fiscal planejado pelos democratas, que enxergam as iniquidades tributárias entre as classes mais ricas e as mais pobres como um dos principais problemas a serem enfrentados durante a reforma fiscal", completa Flávio Combat. Segundo estimativas da Casa Branca, a elevação dos impostos permitiria o aumento da arrecadação em US$ 1 trilhão na próxima década. Os republicanos insistem na manutenção dos benefícios fiscais e enfatizam a necessidade de cortes de até US$ 4,6 trilhões para os próximos dez anos, com severos ajustes nos programas sociais financiados pelo Estado. O resultado mais imediato desse embate é o travamento da pauta de projetos que tramitam no Congresso, dificultando a aprovação de novos estímulos para sustentar a atividade nos Estados Unidos. "Essa questão é totalmente política, o que é super normal, mas no fim os republicanos sabem que os democratas são mais fortes, uma vez que têm apoio da população", enfatiza o diretor da FAAP.

domingo, 14 de abril de 2013

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Março de 2013

O grande debate no Ambiente Econômico é sobre os próximos passos da equipe econômica do governo brasileiro frente a dois problemas: inflação em alta e crescimento em baixa. A primeira estratégia do governo foi apostar no crescimento econômico, deixando o controle da inflação num segundo plano. Entretanto, os últimos dados conjunturais, bem como as declarações do Ministro da Fazenda e do Presidente do Banco Central, apontam para uma mudança de estratégia, com a inflação assumindo papel principal na política econômica do governo. A consequência esperada é de que haja uma retomada do aumento da taxa de juros já na próxima reunião do COPOM, no mês de abril, como este boletim vinha alertando e destacando há mais de um ano.
  • Inflação oficial fica em 6,59% em 12 meses, acima da meta do governo: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,47% em março, após alta de 0,60% em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses até março, o IPCA avançou 6,59% no mês passado, mostrando alta ante os 6,31% de fevereiro, e estourando o teto da meta do governo, de 6,5%. No ano, o IPCA já acumula uma alta de 1,94%. Segundo as projeções do Banco Central, através do seu Boletim Focus do final de março, o IPCA deverá encerrar o ano em 5,70%. Para 2014, as projeções subiram de 5,50% (início de março) para 5,70% (final do mês).
  • Inflação acima da meta já torna alta dos juros iminente: Os dados sobre inflação no curtíssimo prazo irão determinar se o Banco Central irá ceder aos apelos de agentes do mercado financeiro, que defendem uma alta da taxa SELIC já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), ou se a decisão será postergada para o mês de maio. O próximo encontro está marcado para os dias 16 e 17 de abril. A alta disseminada dos preços está presente na economia desde o ano passado. No entanto, a partir de agora, ela passa a ter maior peso na formação dos índices de inflação para o ano que vem, o que reforça a atenção em cima desses dados. No acumulado de 12 meses, a inflação medida pelo IPCA já ultrapassou o teto da meta, que é de 6,5%. No entanto, se continuar assim, as projeções para 2014 começarão a ser revistas para cima, e é com isso que o BC está preocupado. Para o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Melo, o ciclo de alta dos juros deve ter início na reunião de maio, fazendo com que a SELIC suba de 7,25% ao ano para 8,5% até o final do ano. O executivo reforça que o BC está trabalhando com um horizonte mais longo, uma vez que resta pouca coisa a fazer em relação à inflação de 2013. "O BC está de olho em qualquer pressão inflacionária ou sobre o mercado de trabalho”.Para o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luiz Otávio Leal, o BC irá analisar os dados de curto prazo e, como base nesses fatores irá tomar a decisão sobre aumentar os juros. Por enquanto, a expectativa é de uma alta apenas em maio. A instituição trabalha com cenário de elevação em que, em dezembro, a SELIC estará em 8,5% ao ano. Nessa análise, o PIB do 1º trimestre, que será divulgado na decisão da reunião de maio, também terá um peso relevante. Por outro lado, Tatiana Pinheiro, economista do Santander, avalia que a SELIC será mantida em 7,25% até o final do ano. Na avaliação de Felipe Queiroz, economista da Austin Ratings, a autoridade monetária ainda se divide entre os dilemas de controlar a inflação ou estimular a economia. Por isso, ele acredita que o IPCA de março ainda não será o necessário para uma alta da SELIC. "A inflação não decorre da demanda em si e, sim, na oferta. Os preços tem se elevado no grupo de serviços, se alterar os juros vai ter impacto maior sobre a indústria do que sobre preço dos serviços que é quem de fato pressiona o índice neste momento", afirma.Para ele, a taxa de desemprego em baixa e os salários aumentando acima do nível de produtividade fazem com que as pessoas ganhem mais, o que consequentemente aumenta o consumo por serviços, que é um segmento com uma capacidade restrita. "Alterando ou não os juros não vai aumentar o número de vagas no estacionamento", brinca. Queiroz lembra que o grande problema da economia brasileira atualmente é não crescer e, consequentemente não conseguir atender sua demanda. De acordo com o economista, a preferência é que se tenha uma taxa básica de juros estável para que se tenha um nível de investimento produtivo maior. "Acreditamos que a SELIC tende a se manter estável". A projeção da Austin é de que, se houver reajuste, só a partir de setembro, com duas altas consecutivas 0,25 ponto percentual, com a SELIC encerrando o ano a 7,75% ao ano. O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, avalia que a inflação se encontra em seu pico de alta e, salvo choques que não tem como serem previstos, vai desacelerar nos próximos meses, até pela alta base de comparação do 2º semestre de 2012. "As projeções sugerem que a inflação em 12 meses tende a cair, ou não subir muito mais. Hoje vai ser o pior dos mundos para o BC, mas tudo indica que vai melhorar", diz Perfeito sobre a divulgação do IPCA.
  • Banco Central e Fazenda afinam discurso e sinalizam alta da SELIC já em abril: O Banco Central e o Ministério da Fazenda afinaram ainda mais o discurso e pavimentaram o caminho para que o ciclo de aperto monetário comece já na próxima reunião do COPOM, ao enfatizarem que o governo não vai deixar a inflação sair do controle. Participando de eventos em cidades diferentes, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defenderam que a escalada de preços não será tolerada, o que, na avaliação mercado, mostrou uma sintonia para que o Comitê de Política Monetária (COPOM) eleve a SELIC na próxima reunião, dias 16 e 17 de abril, e não em maio, como ainda prevê uma parte dos agentes econômicos. O principal sinal dado por Tombini, segundo especialistas, foi a inclusão da palavra "atentamente" na sua declaração sobre o monitoramento feito pelo BC dos indicadores econômicos para decidir sobre o futuro da política monetária. Especialistas lembraram que essa foi a senha para, no passado recente, o COPOM começar um ciclo de aperto. "O Banco Central tem dito que não há e não haverá tolerância com a inflação. Nós estamos nesse momento monitorando atentamente todos os indicadores e obviamente no futuro vamos tomar decisões sobre o melhor curso para a política monetária", afirmou Tombini, em um pouco usual comentário a menos de uma semana da reunião do COPOM. Sua fala jogou ainda mais combustível no mercado futuro de juros, com as taxas dos DIs mais curtas disparando, fortalecendo as apostas de que o COPOM elevará a SELIC—hoje na mínima histórica de 7,25% ao ano— na reunião dos próximos dias 16 e 17. A taxa básica de juros não sobe desde meados de 2011, quando o BC deu início à série de dez cortes seguidos até outubro passado e que levou a SELIC para seu atual patamar, a fim de estimular a atividade econômica. Agora, o cenário é outro. Mesmo com a recuperação econômica sem sinais robustos, a inflação permanece em níveis muito elevados, tendo estourado o teto da meta oficial em março, com o IPCA chegando a 6,59% em 12 meses, mesmo com todos os esforços do governo para tentar segurar os preços. Mais recentemente, a equipe econômica e a própria presidente Dilma Rousseff endureceram o discurso contra a inflação, enquanto o BC evidenciava a necessidade de ter cautela na condução da política monetária. Diante disso, uma boa parte dos agentes econômicos acreditava que a SELIC subiria somente no encontro de maio do COPOM. Mas esse sinal parece ter perdido força. Para o estratagista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno, o fato de Tombini ter dito que monitorará "atentamente" os dados econômicos deixou claro que a porta está aberta para elevação da SELIC já na próxima reunião. A fala do presidente do BC já fez alguns especialistas mudarem suas projeções sobre a SELIC, antecipando a alta de maio para abril. É o caso da Nomura Securities, que agora vê a taxa básica subindo 0,50 ponto percentual na próxima reunião, mas mantendo a perspectiva de que fechará o ano a 8,75%. Pouco antes das declarações de Tombini, Mantega já havia reforçado, na visão do mercado, que o ciclo de aperto começaria agora. O ministro disse, durante evento em São Paulo, que o BC poderá elevar a SELIC se considerar necessário para combater a inflação. Repetiu ainda que o governo tomará todas as medidas necessárias para segurar a escalada dos preços e impedir a dispersão da inflação por meio das expectativas. "Não titubeamos em tomar medidas. Inclusive posso dizer que, mesmo as medidas que são consideradas menos populares, são tomadas, por exemplo, em relação às taxas juros, quando isso é necessário", disse Mantega durante palestra em São Paulo. O ministro afirmou ainda que o calendário político não influencia as decisões de política monetária. "Se vocês olharem ao longo do tempo, nós elevamos juros em véspera de eleição. Por exemplo, em 2010 nós elevamos taxa de juros. Portanto, não nos pautamos por calendário político", comentou Mantega. Será???
  • Inflação medida pelo IGP-M desacelera para 0,21% em março: O Índice Geral de Preços –Mercado (IGP-M), a chamada ‘inflação do aluguel’, fechou o 3º mês de 2013 em 0,21%, ante 0,29% ocorrida em fevereiro, informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV). A variação acumulada em 2013 é de 0,84%, enquanto a taxa acumulada em 12 meses até março é de 8,05%. Segundo as projeções do Banco Central, em seu último Boletim Focus de março, o IGP-M deve ficar em 4,93% em 2013. Para 2014, a projeção é de 5,31%.
  • IBC-Br cai 0,52% em fevereiro ante janeiro: O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,52% em fevereiro em relação ao mês anterior, após registrar alta de 1,43% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC), o número passou de 144,71 pontos em janeiro para 143,96 pontos em fevereiro na série dessazonalizada. A queda do IBC-Br de fevereiro ante janeiro é menor que a mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro e ficou dentro do intervalo das estimativas (-1,10% a +0,30%). Na comparação entres os meses de fevereiro de 2013 e de 2012, houve expansão de 0,44% do índice, na série sem ajustes sazonais. A queda de 0,52% do índice, em fevereiro, em relação ao mês anterior, é o maior recuo para esse mês do ano desde fevereiro de 2005, quando a queda também foi de 0,52% na série com ajuste sazonal. Em relação a todos os meses do ano, a queda do IBC-Br em fevereiro de 2013 é a maior variação negativa desde a queda de 0,84% em setembro de 2012 ante agosto do ano passado. O IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. Segundo as projeções do Banco Central, através do seu Boletim Focus do final de março, o PIB deverá encerrar o ano em 3,00%. Para 2014, as projeções continuam em 3,50%.
  • Dólar fechou março em R$ 2,0210: O Dólar encerrou o 3º mês do ano um pouco acima de R$ 2,00. A cotação de 28 de março foi de R$ 2,0210, ante R$ 1,9830 verificada no início do mês. O Euro fechou março a R$2,5853, ante R$ 2,5762 verificado no início do mês. Especificamente com relação ao Dólar, a previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2013, conforme o último Boletim Focus de março, é de R$ 2,00. Para 2014, a taxa de câmbio está estimada em R$ 2,05. Em março, o Dólar apresentou ganho de +1,91%, e no ano, até agora, a perda é de-1,22%.
  • Produção industrial recua 2,5% em fevereiro: Em fevereiro de 2013, a produção industrial recuou 2,5% em relação ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, praticamente eliminando a expansão de 2,6% registrada em janeiro.Na série sem ajuste sazonal, no confronto com igual mês do ano anterior, o total da indústria apontou queda de 3,2% em fevereiro de 2013, após registrar avanço de 5,5% em janeiro último. A queda de 2,5% da atividade industrial na passagem de janeiro para fevereiro alcançou 15 dos 27 ramos pesquisados, com destaque para a influência negativa exercida pelo setor de veículos automotores, que recuou 9,1% nesse mês, eliminando o avanço de 6,2% verificado em janeiro último. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de farmacêutica (-10,8%), refino de petróleo e produção de álcool (-5,8%), bebidas (-5,2%), alimentos (-1,3%), mobiliário (-9,9%), celulose, papel e produtos de papel (-2,0%) e indústrias extrativas (-1,9%). As principais pressões positivas sobre a média da indústria vieram de outros equipamentos de transportes (9,6%), máquinas e equipamentos (1,7%), fumo (36,2%), que recuperou parte da perda de 53,7% registrada em janeiro, e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (4,6%).
  • Inadimplência cai pelo 3º mês consecutivo: O indicador de registro de inadimplentes apresentou queda de 1% em março ante fevereiro, descontados os efeitos sazonais, segundo dados divulgados pela Boa Vista Serviços, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). No 1º trimestre de 2013, o indicador acumula redução de 5,6% ante igual período de 2012. Segundo a Boa Vista, o resultado de março manteve a tendência de queda observada desde o início do ano e é "reflexo da continuidade dos impactos positivos das melhores condições do mercado de crédito, influenciadas pela queda da taxa básica de juros e spreads bancários, e do aumento da população com vínculo empregatício ao longo de 2012, além da maior seletividade dos bancos privados na oferta do crédito", segundo nota. Por conta deste cenário, o órgão estima uma continuidade na desaceleração do registro do número de inadimplentes ao longo de 2013, fechando o ano com um aumento inferior a 1%. Em relação a março de 2012, a queda no número de novos registros de inadimplência no mês passado foi de 10,4%. No acumulado de 12 meses, em comparação aos 12 meses anteriores, o indicador apontou uma queda de 0,2%, fato que não ocorria desde outubro de 2010. O valor médio das dívidas incluídas em março foi de R$ 1.340, 6,62% maior que o apurado em fevereiro. O indicador de recuperação de crédito — obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplentes — caiu 4,3% no mês passado em relação a fevereiro, descontados os efeitos sazonais. Na comparação com março de 2012, houve elevação de 3,4%. No trimestre, o indicador acumula expansão de 5% ante o mesmo período do ano anterior. Para a Boa Vista, as melhores condições do mercado de crédito e aumento da população empregada também devem continuar contribuindo positivamente para a recuperação de crédito em 2013. "Assim, espera-se uma dinâmica da recuperação de crédito em intensidade semelhante à observada nos três primeiros meses do ano. Projeta-se para 2013 uma elevação de 4,8% em relação a 2012".
  • País cria 123.446 novos empregos em fevereiro: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a fevereiro de 2013, foram criados no Brasil, 123.446 novas vagas de emprego com carteira assinada, o que corresponde a um crescimento de 0,31% no estoque de assalariados em relação ao mês anterior. No mês foram 1,774 milhão de admissões, e 1,650 milhão de desligamentos. Em termos setoriais, os dados mostram que, dos oito setores que participam do levantamento, cinco tiveram variação positiva no 2º mês do ano. Destaque para os Serviços, com +82.061 novos empregos, a Indústria da Transformação, com +33.466 novos empregos, e para a Construção Civil, com +15.636 novos postos. O Comércio apresentou queda de -10.414 vagas, bem como a Agricultura, com -9.775 vagas.
  • Aumenta percepção de risco do Brasil entre investidores: Os investidores globais diminuíram no último ano a percepção de risco sobre os títulos públicos brasileiros, mas isso não foi suficiente para tirar o país da lista dos mais arriscados para aplicar recursos. Além disso, o movimento dos últimos três meses tem apontado reversão para esta tendência, com os aplicadores mais receosos com o país daqui pra frente. A avaliação toma como base os custos dos Credit Default Swaps (CDSs), operações que protegem investidores contra calotes de países e, por isso, funcionam como um ‘seguro’de títulos soberanos. O levantamento foi feito para o Brasil Econômico porr Ricardo Torres, professor da BBS Business School, com base em dados da Bloomberg. O Brasil terminou fevereiro com saldo da dívida mobiliária federal de R$ 1,864 trilhão, equivalente a 41,7% do PIB, tem reservas em dólar na ordem de R$ 377,9 bilhões e uma dívida externa total de US$ 316,3 bilhões, de acordo com o Banco Central. “No conjunto, temos um histórico positivo e a situação é confortável, porque o que a economia gera de receitas é compatível para pagar as dívidas”, diz Torres. Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, acredita que a queda anual não invalida o fato de os investidores estarem preocupados com o Brasil. “Um pouco antes do final de 2012 para cá, houve uma reavaliação das perspectivas da economia brasileira, com uma condução que inclui ingerências do governo no setor privado, que tem afugentado os investidores e criado uma percepção de que o país não é tão confiável quanto há um ano”, afirma. No âmbito de política monetária, ele cita a menor clareza com as metas de inflação, que não são buscadas com tanto rigor quanto antes, e os rumores de menor autonomia do Banco Central para alterar juros. Já no âmbito de política fiscal, há o problema da “contabilidade criativa.” Para se ter uma idéia, nos últimos três meses, o custo dos CDSs no Brasil subiram 10,87 pontos. “O prêmio de risco brasileiro subiu nos últimos meses, basicamente em função das medidas do governo, como desonerações para inflar o Produto Interno Bruto, jogando os ajustes da economia para frente”, pondera o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho. Por este motivo, a avaliação do Brasil é pior do que a de México, cujos CDSs têm custo de 89,50 pontos e da Colômbia, com 93,88 pontos. O custo dos CDSs brasileiros só não é maior do que os de países como Espanha (265,01 pontos), Itália (271,75 pontos) e Portugal (422,25 pontos), que sofreram nos últimos anos pelo estímulo fiscal dado em um momento de crise, cuja conta foi cobrada posteriormente por meio de um alto endividamento desses governos. Apesar de alto, o indicador desses países apresenta desaceleração, com queda de 205,1 pontos em Espanha, 151 pontos na Itália e 716,2 pontos em Portugal. “Isso não quer dizer que melhorou muito a situação desses países, mas que eles deixaram de ser piores”, destaca Queiroz, da Austin Rating. “Mesmo com a economia passando por dificuldades, taxa de desemprego alta e PIB com retração, as políticas adotadas têm controlado a situação e dado uma atenuada”, diz o economista.