sexta-feira, 6 de julho de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Junho de 2012


O mês de junho confirma a forte desaceleração da economia brasileira, considerada mais grave do que o previsto, conforme todas as projeções do mercado e do próprio governo. Este anunciou mais um pacote de medidas de estímulo à economia, via compras públicas. Outros destaques negativos referem-se à desaceleração no saldo da balança comercial brasileira e ao aumento contínuo da inadimplência do consumidor. A Zona do Euro busca um acordo para consolidação do bloco, e conseqüentemente, restauração da ordem econômica diante dos efeitos da crise. Outros indicadores de junho: inflação (redução em relação a maio) e mercado de trabalho (redução no ritmo de criação de novos empregos). 

  • Boletim Focus do Banco Central reduz ‘drasticamente’ estimativa para o PIB em 2012: De acordo com o último Boletim Focus de junho, o Banco Central reduziu ‘drasticamente’ a previsão do PIB para 2012, de 2,72% no início do mês, para 2,05% no final de junho. Vale destacar que há 8 semanas seguidas o BC tem reduzido tal estimativa, e o que antes era visto como pouco provável pelo governo – crescimento abaixo de 3% no ano -, agora é visto como ideal para evitar um crescimento abaixo de 2%. Para 2013, a projeção é de 4,20%, 0,30 ponto percentual menor do que a estimativa feita no início de junho, que era de 4,50%.
  • Relatório Trimestral de Inflação, do Banco Central, reduz PIB para 2,50% em 2012: O Banco Central, em seu Relatório Trimestral de Inflação, reduziu a estimativa para o crescimento da economia brasileiro neste ano, de 3,50% (dados de março de 2012) para 2,50%. De acordo com o relatório, “a nova estimativa incorpora os resultados do PIB do 1º trimestre de 2012, dados preliminares referentes ao 2º trimestre, período em que a retomada da atividade vem ocorrendo de forma bastante gradual, e a atualização do cenário macroeconômico para a segunda metade ano”. Na realidade, a expectativa de um crescimento maior da economia no 2º semestre parece não ser consenso mais nem no mercado, nem no próprio governo.
  • Governo anuncia pacote de compras públicas para estimular a economia: O Governo Federal anunciou uma série de medidas de estímulo à economia, que envolvem antecipação de compras públicas. Somadas, elas atingem cerca de R$ 8,4 bilhões e abarcam vários Ministérios. Segundo o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o foco do novo pacote de estímulos é o investimento, e uma das medidas inclui a redução da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), cobrados pelo BNDES, de 6% para 5,5%, visando a redução dos custos dos investimentos produtivos no país. O Ministro também destacou a ação do governo em estimular a redução dos juros bancários para pessoas físicas e para fortalecimento do câmbio, tornando as mercadorias brasileiras mais produtivas (e competitivas no mercado internacional). O programa anunciado pelo governo prevê aquisições nas áreas de Saúde, Defesa, Educação e Agricultura. Na área de Saúde, mais de 80 itens produzidos no país poderão ser adquiridos com preços até 25% superiores aos dos concorrentes, além de linhas de financiamento do BNDES dedicadas à compra de equipamentos na área (nesse caso, o índice de nacionalização deve ser de, no mínimo, 60%). Na área educacional, serão adquiridos 8,5 mil veículos e 30 mil móveis. Para combater a seca, serão comprados 8 mil caminhões e 3 mil patrulhas agrícolas, com foco no aumento da produtividade. Parte dos R$ 8,4 bilhões já estava prevista no Orçamento de 2012, mas o adicional necessário chegará a R$ 6,6, bilhões. Com isso, a previsão de investimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para 2012 subiu de R$ 42,6 bilhões para R$ 51 bilhões. A seguir, uma síntese das ações do novo pacote de estímulos do governo:


TJLP
O governo anunciou a redução de 6% para 5,5% da taxa que baliza os investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
Caminhões
Serão adquiridas 8 mil unidades no valor de R$ 2,28 bilhões para equipar as Forças Armadas e para Estados e municípios com problemas climáticos
Patrulha Agrícola (tratores e implementos)
Serão 3 mil unidades a um custo de R$ 870 milhões para aumentar a produtividade agrícola dos municípios
Retroescavadeiras
Serão 3.591 unidades a um custo de R$ 650 milhões para melhorar as estradas vicinais e o escoamento da produção dos municípios
Motoniveladoras
O governo vai comprar 1.330 unidades a um custo de R$ 638,6 milhões
Perfuratrizes
As compras totalizarão 50 unidades e o governo pretende gastar R$ 13,5 milhões para perfuração de poços na região da seca
Ambulâncias
O governo vai adquirir 2.125 unidades a um custo de R$ 326,3 milhões para o Sistema Único de Saúde
Unidade Odonto Móvel
Serão 1.000 unidades, no valor de R$ 154,2 milhões também para o Sistema Único de Saúde
Trens Urbanos
O governo pretende gastar R$ 721 milhões para comprar 160 vagões às estatais Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb)
Motocicletas
O governo pretende gastar R$ 22,3 milhões para adquirir 500 unidades para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal
Blindado Guarani
Para abastecer o Ministério da Defesa, serão 40 unidades a um custo de R$ 342,4 milhões
Veículo Lançador de Míssil
O governo vai gastar R$ 246 milhões para comprar 30 unidades
Ônibus
Serão 8.570 unidades a um custo de R$ 1,714 bilhão para o Programa Caminho da Escola
Mobiliário escolar
Serão 3 milhões de unidades num custo de R$ 456 milhões para equipar as escolas
Margem de preferência
O governo dará preferência para compra de equipamentos e materiais hospitalares produzidos no Brasil, num valor total de R$ 2 bilhões

O governo, de fato, está preocupado com o desempenho da economia para 2012, abalada, sobretudo, pela crise internacional, e já havia anunciado uma série de medidas de estímulos nos primeiros meses do ano. O Ministério da Fazenda vem conversando com os fabricantes de eletroeletrônicos e móveis para avaliar o alcance e efeito da redução tributária. Não está descartado que o governo mantenha a redução em um contexto de estímulo ao consumo e à produção.
  • Saldo da Balança Comercial em junho acende sinal de alerta no governo: O mês de junho encerrou com a Balança Comercial apresentando superávit de R$ 807 milhões, e de R$ 7,073 bilhões no 1º semestre do ano. Entretanto, tais resultados são os piores dos últimos 10 anos (para o mês e para o semestre), informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). O sinal de alerta está aceso, já que a expectativa era que o 2º semestre no Brasil fosse de melhora no crescimento econômico e das exportações, algo cada vez mais improvável de ocorrer. De acordo com dados do MDIC para o 1º semestre do ano, as exportações caíram em relação ao 1º semestre de 2011 (com forte queda nos preços de commodities como minério de ferro e petróleo), enquanto as importações bateram recorde para o período.
  • Dólar fecha junho a R$ 2,010: O Dólar encerrou o mês de junho em R$ 2,010, baixa de -1,85% em relação a maio. Com isso, o ganho anual caiu de 8,20% para 7,54%. O Euro fechou o mês em R$ 2,5605. Especificamente com relação ao Dólar, os operadores de câmbio consideram que o mercado ainda está reagindo à forte atuação do Banco Central, ocorrida na última semana do mês, e também a uma pequena melhora no cenário externo, após o anúncio de medidas na Zona do Euro. Apesar das medidas anunciadas no exterior representarem alguma tranqüilidade, ainda há dúvidas sobre como serão executadas. Além disso, operadores também alertam que a moeda norte-americana pode mostrar alguma volatilidade, reagindo à percepção do fraco crescimento no Brasil, tornando o país menos atrativo para investimentos estrangeiros. O mercado aponta um intervalo, entre R$ 1,90 e R$ 2,10 (chamado de ‘banda informal’), no qual o Banco Central está atento – perto dos R$ 2,10 poderia voltar a fazer leilões de venda, e abaixo de R$1,90 poderia voltar a comprar dólares no mercado à vista. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, está em R$ 1,95, conforme o último Boletim Focus de junho (alta de R$ 0,05 em relação à projeção do final de maio). Para 2013, a taxa de câmbio está estimada em R$ 1,90 (alta de R$ 0,03 em relação à projeção do final de maio).
  • IPCA de junho fica em 0,08%Índice que mede a inflação oficial brasileira apresentou forte redução em junho, passando de 0,36% em maio para 0,08% neste último mês (o menor desde agosto de 2010, quando foi de 0,04%). Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 2,32%, bem abaixo dos 3,87% verificados no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 4,92%, o mais baixo resultado desde setembro de 2010 (quando foi de 4,70%). A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de junho, é que o IPCA encerre 2012 em até 4,93%. Para 2013, a projeção é de 5,50%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ continuou sendo o principal vilão da inflação em junhoOs preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,73% em abril para 0,68% em maio) causaram impacto de 0,16 ponto percentual no IPCA, com destaque para a batata inglesa e o tomate. Já o grupo ‘Transportes’ continuou sendo o principal responsável para a queda do índice de inflação no mês de junho (de -0,58% em maio para -1,18% neste mês, impacto de -0,24 no IPCA), com destaque para a redução dos preços dos automóveis (dada a redução do IPI implementada pelo governo).
  • IGP-M desacelera em junho e fica em 0,66%: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada “inflação do aluguel”, desacelerou em junho, atingindo 0,66% no mês, frente a 1,02% verificado em maio, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). No ano, o IGP-M acumula alta de 3,19%, e de 5,14% nos últimos 12 meses. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de junho, aponta o IGP-M encerrando 2012 em 5,87%.
  • Inadimplência é recorde no Brasil em maio, segundo o Banco Central: Acompanhando o crescimento do crédito no Brasil, a inadimplência chegou ao seu recorde histórico no mês de maio. Segundo o Banco Central, o crédito total disponibilizado no país representou 50,1% do PIB neste mês (ou R$ 2,136 bilhões), mas por outro lado, a inadimplência atingiu 6%, maior nível desde o início da série histórica, que se iniciou em junho de 2000. Em abril, a inadimplência havia ficado em 5,9%. O calote da pessoa física subiu 0,2 ponto percentual em maio, para 8%, enquanto a inadimplência das empresas ficou estável pelo 4º mês consecutivo em 4,1%. A esperança do governo é que a inadimplência recue a partir do 2º semestre do ano, como resultado da maior qualidade de crédito oferecido.
  • Segundo a SERASA, inadimplência do consumidor sobe 6,2% em maio: Conforme a SERASA Experian, o nível de inadimplência dos consumidores brasileiros aumentou 6,2% em maio, acumulando a 3ª alta consecutiva. No acumulado de 2012, o índice apontou elevação de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Especificamente em relação a maio de 2011, o aumento foi de 21,4%. O valor médio das dívidas não bancárias subiu de R$ 314,74 para R$ 369,72 (alta de 17,5%). Segundo os economistas da SERASA, o aumento da inadimplência do consumidor ocorreu em todos os tipos de dívida analisados, com destaque para a do tipo ‘não bancária’ (cartão de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços), a qual contribuiu com 3,6 pontos percentuais para o avanço da inadimplência do mês. Para eles, o crescente endividamento do consumidor e as compras parceladas referentes ao Dia das Mães foram as principais razões para a alta da inadimplência em maio. Além disso, o mês teve dois dias úteis a mais que abril, o que levou ao registro de um número maior de dívidas não honradas no período.
  • País gerou 139.679 novas vagas no mês de maio de 2012Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no mês de maio, 139.679 novas vagas de emprego com carteira assinada. No ano, já são 877.909 novos postos de trabalho criados no país. Em termos setoriais, os dados mostram que sete dos oito setores de atividade econômica elevaram o nível de emprego, com destaque para Agricultura (+46.261 postos, a maior taxa de crescimento entre todos os setores e subsetores), Serviços (+44.587 postos), Indústria de Transformação (+20.299 postos), Construção Civil (+14.886 postos) e Comércio (+9.749 postos).
  • Analistas se dizem preocupados com a estratégia do governo de endividamento e ‘financeirização’ da pobreza: Diversos especialistas de mercado e analistas econômicos se mostram preocupados com a alternativa escolhida pelo governo de estimular o crescimento do PIB por meio de consumo (via crédito e outras medidas). Para a socióloga Para a socióloga Cláudia Sciré, o que está ocorrendo é uma "financeirização da pobreza" e não a efetiva ascensão de uma nova classe média ou nova classe C, como aponta o próprio governo. A socióloga questiona: "Eles deixaram de ser pobres? O acesso a bens culturais e à educação [de qualidade] continua muito difícil. O consumo sozinho não pode ser parâmetro", critica, questionando a sustentabilidade da ascensão e o endividamento das camadas da população que tiveram aumento de renda e consumo na última década. A incerteza sobre a capacidade de endividamento e da eficácia do estímulo ao consumo também preocupa o economista Fábio Giambiagi: "Apesar de os juros estarem caindo, esse endividamento nos outros países se dá com juros muito inferiores aos brasileiros, de tal forma que o mesmo endividamento tende a gerar, aqui no Brasil, um comprometimento da renda com o pagamento maior que nos outros países. Esse pacote recente do governo aponta no sentido de estimular o consumo no sentido de melhorar o PIB este ano. A gente entende pela lógica do curto prazo. Mas, para o médio e longo prazo, o conselho seria aumentar os canais de investimento público e privado". Apesar dos efeitos econômicos e sociais positivos, a socióloga Cláudia Sciré lembra que o acesso ao crédito pode ter consequências indesejadas na vida dos emergentes. "As pessoas às vezes se confundem, até porque o crédito oferecido é duas ou três vezes maior do que a renda. As pessoas acabam se endividando e a vida delas passa a ser gerida e pautada por esses prazos do mercado por essas dívidas que elas vão assumindo. Isso tem consequências graves como não conseguir visualizar um horizonte de possibilidades para além do mês seguinte", alerta a socióloga.
  • Zona do Euro chega a acordo para união bancária e fiscal: os 17 países da Zona do Euro chegaram a um acordo para aprofundar sua integração econômica, sobretudo com uma união bancária e fiscal, fazendo do Euro um projeto irreversível, conforme anunciou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. A partir deste acordo, o Conselho da UE, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu começarão a elaborar um programa e apresentarão na cúpula de outubro um primeiro relatório com um roteiro e um calendário concreto. A Zona do Euro quer criar uma nova arquitetura européia baseada em uma união bancária, fiscal e política, com mais solidariedade e menos soberania, um supervisor bancário europeu, um Tesouro do Euro, Eurobônus, vetos a orçamentos nacionais e limites à emissão de dívida dos países. Segundo o relatório, na união bancária haverá dois elementos centrais: uma supervisão bancária européia única e um sistema comum de garantias de depósitos e de resolução bancária. A supervisão teria dois níveis: o europeu e o nacional, mas o primeiro teria a "responsabilidade final" e, portanto, a autoridade em matéria de supervisão sobre "todos" os bancos, assim como poderes para intervir de maneira preventiva. Atualmente, a supervisão européia dos bancos é coordenada pela Autoridade Bancária Europeia (ABE), mas o BCE pode receber a incumbência de vigiar as entidades da Eurozona. O sistema de garantias de depósitos também seria supervisionado em nível europeu, assim como o fundo europeu de resolução de bancos, cujos recursos procederiam das próprias entidades. O bloco da união fiscal suporá a cessão de mais soberania nacional, sendo esse o elemento imprescindível para que a Alemanha aceite mais solidariedade. Com a união fiscal, serão tomadas na Eurozona mais decisões em comum sobre as contas nacionais em troca do compartilhamento de riscos, e isso exige prevenir e corrigir políticas fiscais insustentáveis em cada país. Desta forma, a Eurozona poderia fixar tetos anuais de despesa aos orçamentos nacionais e limites aos níveis de dívida, de modo que um país que quiser emitir mais dívida que a estipulada conjuntamente teria de justificar sua decisão e receber autorização prévia dos demais sócios. Depois, seria possível explorar "a médio prazo" a emissão de dívida comum, de modo que só seriam introduzidos os Eurobônus quando houver "um robusto marco de disciplina orçamentária" para evitar o risco moral, como exige a Alemanha. O processo em direção à emissão de dívida comum seria gradual e feito por fases, com o progresso nas decisões sobre orçamentos acompanhado pelos correspondentes passos para compartilhar riscos.


quinta-feira, 5 de julho de 2012


Prezados,
Segue abaixo artigo do site Inovação & Marketing sobre mídias sociais, mobilidade, e-mail marketing, e o uso eficaz dessas ferramentas e possibilidades digitais no mundo de hoje. Para quem tem interesse em ler o artigo na íntegra, o endereço é:
http://inovacaomarketing.com/2012/07/01/marketing-e-mail-midias-sociais-e-mobilidade-como-ser-eficaz/
Boa leitura a todos!

Marketing: E-mail, mídias sociais e mobilidade - como ser eficaz?

Globalmente, profissionais da área de Marketing são desafiados a obterem as melhores respostas do consumidor em relação às suas marcas. Os canais de comunicação com o público se expandiram, deixaram de ser unidirecionais e exigem um novo posicionamento das empresas que não querem atuar apenas como espectadoras ou coadjuvantes em seus mercados. Mas entre o leque de canais de comunicação disponíveis, qual o mais eficiente? É melhor escolher apenas um ou marcar presença em todos? Mas é possível estar em vários sem perder o foco?

A resposta para essas questões obriga que os decisores voltem seu olhar para dentro da empresa, analisem em que momento ela está, tracem uma estratégia e saibam claramente que objetivos se quer atingir, levando em conta que cada canal tem seu tom, seu fim e suas características.

Hoje os principais canais de comunicação e marketing digital contemplam o e-mail marketing, as mídias sociais e a mobilidade
  • E-mail Marketing: As empresas que ainda acreditam que o e-mail marketing é um canal para comunicação generalizada e em massa estão definitivamente no caminho não adequado. O principal critério para usar o e-mail marketing com eficiência é a relevância. O consumidor só vai dar atenção a mais aquele e-mail em sua caixa de entrada se o assunto e o conteúdo forem relevantes, adequados ao seu perfil. E para segmentar o envio de e-mail, a empresa precisa conhecer o cliente de forma personalizada, levantar informações e dados de comportamento que a levem a direcionar somente mensagens que tenham a ver com aquele perfil específico, sejam ofertas de compra, atendimento ou prestação de serviço. A frequência com que o cliente quer receber esse tipo de comunicação também precisa ser levada em conta. Por fim, não custa lembrar que o e-mail marketing precisa sempre ter a permissão do usuário
  • Mídias Sociais: O grande desafio para iniciativas de branding bem sucedidas nesse canal está na capacidade de envolver e motivar as pessoas em torno de uma ação. O usuário das mídias sociais pode não estar necessariamente interessado em comprar e, portanto, não quer receber mensagens focadas na venda de produtos e serviços. Ou seja, um argumento agressivo de vendas nas mídias sociais não é bem recebidoOferecer entretenimento e informação é muito mais pertinente neste canal. Promover engajamento, envolvimento e relacionamento deve ser o objetivo central, tendo sempre em mente que este canal é de múltiplas vias, que deve gerar interatividade e fazer com que as pessoas se sintam à vontade para comentar, indicar aos amigos, “curtir”, compartilhar entre si. Gostar de uma marca pode não significar um interesse imediato de compra, mas motivar as pessoas a falarem de determinada empresa e pulverizar aquela mensagem entre seu grupo de amigos gera direta e indiretamente visibilidade e divulgação para a marca. Outro ponto importante é que, ao estar presente nas mídias sociais, a empresa precisa ter uma política de como dar retorno aos comentários e posts, estando preparada inclusive para receber críticas, pois uma vez aberto o canal, ele ganha dinâmica própria.
  • Mobilidade: Um ponto importante para a boa comunicação neste canal é forma de abordar o consumidor, para que ele não se sinta invadido. O envio de mensagens de texto via torpedos só pode acontecer se houver um opt in formal e, além disso, essa forma de comunicação se presta muito mais a promover relacionamento, atendimento e prestação de serviços do que publicidade. Possibilitar entretenimento também é uma boa opção, por meio da oferta de aplicativos com os quais os usuários se identifiquem ou como forma de prestar algum serviço de utilidade pública, por exemplo.

Se estabelecer uma comunicação eficaz com o consumidor em cada um desses canais já demanda uma estratégia bem definida, o mesmo vale para as empresas que queiram desenvolver ações integradas. Neste caso, tratar esses meios de forma isolada faz com que a empresa não aproveite os canais em toda sua potencialidade.


Ou seja, mais do que desenvolver iniciativas para e-mail marketing, mídias sociais ou mobilidade, se a marca quer fazer uso destes três canais de modo verdadeiramente eficaz, deve pensar em uma estratégia de cross-channel, para acompanhar os resultados de forma integrada e poder mensurar o todo. O e-mail marketing pode levar o usuário a se interessar pelas mídias sociais da marca, o website da empresa pode permitir compartilhamento em Facebook ou Twitter dos trechos que interessem ao cliente, aplicativos usados em smartphones podem ser replicados nas mídias sociais, uma ação iniciada em um canal pode render desdobramentos em outros, etc…

São inúmeras as formas de capitalizar a interação do usuário nos diversos canais digitais. Isso demanda, no entanto, criatividade e estratégia. O mercado brasileiro tem amadurecido gradativamente absorvido esta visão mais ampla e integrada, portanto não há dúvidas de que esse é um caminho que tende a estimular e fortalecer o relacionamento entre consumidores e empresas. Ignorar essa tendência é ignorar as inovações, as novas gerações e as formas como elas interagem com o mundo.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

MARKETING 3.0: um novo paradigma para as empresas do futuro

Prezados, publicamos um artigo sobre o conceito de "Marketing 3.0", no jornal Hoje em Dia. Leiam e comentem! Abraços a todos!




Marketing 3.0: um novo paradigma para as empresas do futuro
Dr. Frederico Mafra, Professor do IBMEC e Consultor Sênior da Global On Consultores Associados

O Marketing 3.0 é um conceito novo, ainda pouco estudado e divulgado, mas muito atual. Segundo o guru do marketing Philip Kotler, cada vez mais os consumidores se importam não só com os produtos e/ou serviços que uma empresa oferece, mas também com sua imagem e com o que ela defende em termos de valores no mundo.

Para Alvin Toffler, futurista norte americano, vivemos uma 4ª onda voltada para os aspectos da criatividade, cultura, tradição e meio ambiente. O Marketing 3.0, neste contexto, se baseia na capacidade das empresas detectarem as ansiedades e anseios humanos enraizados nestes aspectos, (re)definindo seus modelos de negócios centrados no ser humano.

O marketing, no seu início, era focado no produto (Marketing 1.0) e tinha um viés mais tático, de apoio à produção, buscando, em síntese, gerar demanda para os produtos. Nos anos 90 passou a centrar-se no consumidor e suas necessidades (Marketing 2.0), trabalhando novos enfoques e conceitos sobre gestão do cliente, segmentação de mercado e posicionamento, e transformando o marketing em algo mais estratégico.

Agora, o marketing foca nas questões humanas (Marketing 3.0), na qual a lucratividade dos negócios tem como contrapeso a responsabilidade corporativa, com produtos e/ou serviços que contribuam para a solução dos problemas globais e sociais. As empresas que praticam o Marketing 3.0 têm como objetivo maior oferecer soluções para os problemas da sociedade, trabalhando as diretrizes de marketing com maior foco nos conceitos balizadores de seus negócios - missão, valores e visão!

Mudanças no ambiente de negócios têm traçado esta tendência de uso do Marketing 3.0 e de modificações nas práticas das empresas, como: intensificação da globalização, crises econômicas globais, preocupações com o meio ambiente, novas mídias sociais, novas ondas de avanços tecnológicos, maior empowerment do consumidor, maior confiança, pelo cliente, em outros consumidores do que nas empresas e/ou em mídias tradicionais, dentre outros. Ou seja, os conceitos de marketing sempre são uma reação às mudanças que ocorrem no ambiente de negócios, e o Marketing 3.0 comprova a máxima de que o comportamento do consumidor mudou com o passar do tempo devido a estas mudanças no ambiente que o rodeia.

As empresas do futuro precisam entender os novos consumidores, os quais desejam participar mais da criação e desenvolvimento dos produtos (‘cocriação’), desejam estar conectados aos outros consumidores muito mais do que às empresas (‘comunização’), e querem que as marcas reflitam sua verdadeira identidade, tenham personalidade e atinjam uma diferenciação autêntica e quase única. Ou seja, redefinir o Marketing 3.0 com base na tríade ‘marca’, ‘posicionamento’ e ‘diferenciação’, incorporando os atributos de ‘identidade’, ‘integridade’ e ‘imagem da marca’, própria e/ou de seus produtos.

Desenvolver o Marketing 3.0 não é tarefa fácil. Mas o desafio é justamente adequar-se para o futuro, para um novo consumidor, para um novo ambiente de negócios!


quarta-feira, 20 de junho de 2012

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Maio de 2012


Publicado por Frederico Mafra
Consultor Sênior da GLOBAL ON Consultores Associados
O mês de maio destaca os resultados do PIB brasileiro do 1º trimestre de 2012, que apresentou baixo crescimento, com trajetória de desaceleração. O governo continua adotando medidas para estimular o consumo interno e o investimento via subsídios fiscais e aumento de crédito, mas não avança nas reformas mais estruturantes. O Real voltou a se desvalorizar frente ao Dólar, e o COPOM reforçou a estratégia de redução gradual da taxa SELIC, cortando em 0,5 ponto percentual os juros básicos da economia. Outros indicadores de maio: inflação (redução em relação a abril), inadimplência (crescimento no 1º quadrimestre) e mercado de trabalho (saldo positivo no ano).
  • PIB Brasil do 1º trimestre de 2012 cresce pouco: O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou variação positiva de 0,2% no 1º trimestre de 2012, em relação ao último trimestre do ano passado. Os destaques positivos foram a Indústria, que cresceu 1,7%, seguida dos Serviços (+0,6%). O crescimento da Indústria foi puxado pela Indústria de Transformação, Construção Civil e Eletricidade e Gás, Água, Esgoto e Limpeza Urbana. Nos Serviços, o destaque ficou por conta das atividades de Administração, Saúde e Educação Pública. O destaque negativo do PIB ficou por conta da Agropecuária, que caiu 7,3%. Na comparação com o mesmo período de 2011, o PIB cresceu 0,8%. Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 1,03 trilhão neste 1º trimestre de 2012.
  • Trajetória do PIB é de desaceleração: O resultado do PIB do 1º trimestre de 2012 veio em consonância com as previsões do mercado, que já previa algo abaixo de meio ponto percentual. Tal expectativa foi, inclusive, reforçada pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega. Nos últimos 12 meses, o PIB acumulou crescimento de 1,9%, resultado que mantém a trajetória de desaceleração observada desde o final de 2010. Para o Ministro Mantega, o PIB brasileiro para 2012 ainda tem condições de ficar entre 3% e 4%. Já os economistas do mercado demonstram maior ceticismo quanto à capacidade de recuperação da economia brasileira no 2º semestre do ano, e apostam num crescimento entre 2,5% e 3% no ano. Para o mercado, o país poderia ter aproveitado o momento de crescimento, mesmo que baixo, mas acima da taxa de crescimento mundial, para realizar reformas estruturantes voltadas à melhoria da competitividade no mercado global, como a redução da carga tributária e o incentivo à inovação. Entretanto, o que se vê são decisões e ações mais fragmentadas e pontuais, por parte do governo, para estimular o crescimento via consumo e combater os efeitos da crise econômica mundial.
  • Banco Central reduz estimativa para o PIB em 2012: De acordo com o último Boletim Focus de maio, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2012, de 3,23%, verificada no início do mês, para 2,72% no final de maio. Para 2013, a projeção é de 4,50%. 
  • OCDE prevê crescimento de 3,9% do PIB Brasil para 2012: A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) manteve em 3,9% sua previsão de crescimento do PIB brasileiro neste ano, mas elevou em três décimos a estimativa de 2013, a 4,2%. Para a OCDE, a demanda doméstica seguirá como a principal responsável pelo crescimento do Brasil. Com relação à inflação, calcula que será de 4,9% em 2012 e de 5,3% em 2013, mas também indicou que as taxas de juros deveriam subir antes do final do ano para evitar tensões no mercado de trabalho e no de produtos.
  • Dólar fecha maio a R$ 2,018: O Dólar encerrou o mês de maio em R$ 2,018, alta de 4,83% em relação a abril, e ganho anual de 8,20%. O Euro fechou o mês em R$ 2,4992. Especificamente com relação ao Dólar, este demonstrou aumento em relação ao Real, principalmente devido à piora da percepção de risco no exterior (lê-se crise econômica na Zona do Euro), em movimento contrário ao das bolsas de valores. A previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2012, está em R$ 1,90, conforme o último Boletim Focus de maio. Para 2013, a taxa de câmbio está estimada em R$ 1,87.
  • COPOM mantém trajetória de corte na taxa de juros SELIC em 2012: Na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), realizada em 29 e 30 de maio último, a taxa SELIC foi reduzida mais uma vez em 0,50 ponto percentual, chegando a 8,50% ao ano, e mantendo a trajetória de queda dos juros iniciada no final do ano passado, com foco no estímulo do crescimento econômico interno do país. O COPOM considera que, neste momento, os riscos para a trajetória da inflação brasileira encontram-se limitados, e devido à fragilidade da economia global, a contribuição do setor externo tem sido desinflacionaria. No ano, a taxa SELIC foi reduzida quatro vezes, de 11,00% para os atuais 8,50% ao ano. A próxima reunião do COPOM está marcada para 10 e 11 de julho, e segundo o Boletim Focus, do Banco Central, a expectativa do mercado é de mais um corte de 0,50 ponto percentual na SELIC, chegando a 8,00%. Entretanto, para 2013, a estimativa é de uma taxa a 9,38%.
  • IPCA de maio fica em 0,36%: Índice que mede a inflação oficial brasileira apresentou redução em maio, passando de 0,64% em abril para 0,36% neste último mês. Com isso, o resultado em 2012 aponta uma inflação acumulada de 2,24%, bem abaixo dos 3,71% verificados no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 4,99%, o mais baixo resultado desde setembro de 2010 (quando foi de 4,70%). A expectativa do Banco Central, no último Boletim Focus de maio, é que o IPCA encerre 2012 em até 5,15%. Para 2013, a projeção é de 5,60%.
  • Grupo ‘Alimentação e Bebidas’ foi o principal vilão da inflação em maio: Os preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,51% em abril para 0,73% em maio) causaram impacto de 0,17 ponto percentual no IPCA, com destaque para o feijão e o arroz. Já o grupo ‘Transportes’ foi o que mais contribui para a queda do índice de inflação no mês de maio (de 0,10% em abril para -0,58% neste mês, impacto de -0,12 no IPCA).
  • IGP-M acelera em maio: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada “inflação do aluguel”, acelerou em maio, atingindo 1,02% no mês, frente a 0,85% verificado em abril. No ano, o IGP-M acumula alta de 2,5110%, e de 4,2623% nos últimos 12 meses. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de maio, aponta o IGP-M encerrando 2012 em 5,66%, 0,42 ponto percentual acima da previsão feita no final de abril (5,24%).
  • Inadimplência do consumidor aumenta no 1º quadrimestre de 2012: Conforme a Serasa Experian, o nível de inadimplência dos consumidores brasileiros aumentou em 23,7% em abril, na comparação com o mesmo mês em 2011, puxado pelas dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços). Em relação a março deste ano, houve alta de 4,8%, a maior variação mensal desde 2002. No 1º quadrimestre do ano, o indicador acumula expansão de 19,6%. Segundo os economistas da Serasa, o aumento da inadimplência do consumidor mostra que as dificuldades de honrar as despesas de início de ano, aliadas ao endividamento crescente, acabaram se estendendo para além do mês de março. Vale destacar também que o aumento da inadimplência pode estar relacionado ao crescimento do consumo interno via aumento do crédito (efeito perverso).
  • País gerou 702.059 novas vagas no 1º quadrimestre de 2012: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, no 1º quadrimestre do ano, 702.059 novas vagas de emprego com carteira assinada. Em termos setoriais, abril foi o 1º mês do ano em que se verificou crescimento generalizado do emprego entre os setores.
  • Revista ‘The Economist’ alerta para perigos de fraquezas do Brasil para economia: Artigo publicado pela revista britânica diz que o Brasil apresenta pontos fortes ‘reais’, como o baixo índice de desemprego, o aumento dos salários e o investimento estrangeiro direto, mas alerta que o governo deveria também se preocupar mais com suas fraquezas, sendo o principal responsável por grande parte do “Custo Brasil”. Especificamente com relação às fraquezas, a revista aponta a alta carga de impostos em relação ao PIB, sendo o sistema tributário brasileiro altamente complexo, e critica as altas aposentadorias públicas e o viés ‘esbanjador’ do governo. Por último, criticam também a previsão de crescimento para a economia brasileira em 2012, o que a princípio pode parecer generosa para os atuais padrões ocidentais, mas abaixo (ou insuficiente) para garantir que o Brasil dê continuidade aos recentes ganhos sociais.
  • Dificuldade de crescimento para 2012 derruba entusiasmo internacional com o Brasil: Analistas do mercado internacional acreditam que a desaceleração da economia brasileira arrefeceu o entusiasmo pelo Brasil no exterior. Segundo Richard Lapper, diretor do Brazil Confidential, o serviço de análises sobre o Brasil do jornal britânico Financial Times, afirmou que "no mercado, o clima é de que a festa brasileira acabou. É como se de repente alguns analistas tivessem descoberto que o Brasil tem problemas”. Nouriel Roubini, economista conhecido por prever o colapso do mercado imobiliário americano, também voltou de uma viagem pelos BRICs, em fevereiro, recomendando um "choque de realidade" em relação ao Brasil. Para Neil Shearing, da consultoria Capital Economics, em Londres, um dos analistas "decepcionados" com o Brasil, o problema é que o crescimento brasileiro ficou atrás não só dos outros BRICs, mas também de outros países latino-americanos, como o México: "Havia uma bolha de entusiasmo pelo Brasil - e agora ela estourou", diz. Na realidade, as incertezas em relação ao Brasil são alimentadas tanto por fatores internos quanto externos. Além de o país estar crescendo menos que outros emergentes, há preocupações com as baixas taxas de poupança e investimento, o chamado “Custo Brasil” (excesso de burocracia, déficit de infraestrutura, etc.) e a relativa falta de crescimento na produtividade da indústria. De fato, o Brasil não aumentou muito sua fatia da economia global na última década e só conseguiu tornar-se a sexta economia do mundo por causa do Real valorizado, e da própria crise econômica mundial, que afetou enormemente os países da Zona do Euro. Além disso, no plano internacional, o foco das preocupações hoje são as incertezas sobre a própria Zona do Euro e a as perspectivas de um desaquecimento da China, cenário que levaria a uma redução das exportações brasileiras e desvalorização das commodities.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Novembro de 2011

Publicado por Frederico Mafra
Consultor Sênior da GLOBAL ON Consultores Associados e professor do IBMEC e FEAD


O mês de novembro destaca os resultados do PIB brasileiro do 3º trimestre de 2011, que apresentou variação nula, confirmando as expectativas do mercado de que os efeitos da crise mundial, de fato, chegaram ao país. O governo, em contrapartida, anunciou medidas para estimular o consumo interno e os investimentos, via subsídios fiscais. O Real voltou a se desvalorizar frente ao Dólar, e o COPOM reforçou a estratégia de redução gradual da taxa SELIC, cortando em 0,5 ponto percentual os juros básicos da economia. Outros indicadores de novembro: inflação (voltando a se acelerar), inadimplência (com índices maiores que 2010) e mercado de trabalho (com saldo positivo no mês, mas 38,4% abaixo do desempenho obtido em 2010).
  • PIB Brasil do 3º trimestre tem variação nula: O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil apresentou variação nula (0,0%) no 3º trimestre de 2011, em relação ao 2º. O destaque positivo foi o setor da Agropecuária, que cresceu 3,2% no período. Indústria e Serviços, em contrapartida, apresentaram variação negativa de -0,9% e -0,3%, respectivamente. Na comparação com o 3º trimestre de 2010, o PIB cresceu 2,1%. No acumulado de 2011 (janeiro até setembro), o PIB brasileiro apresenta expansão de 3,2% em relação a 2010, alcançando R$1,05 trilhão em valores correntes.
  • Banco Central reduz estimativa para o PIB em 2011: De acordo com o último Boletim Focus de novembro, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2011, de 3,29%, verificada no início do mês, para 3,09% no final deste mês. Para 2012, a projeção também é de queda, de 3,50%, feita no início do mês, para 3,48% neste último Boletim Focus. Segundo vários economistas do mercado, as projeções estão convergindo para um PIB em torno de 3% até o final de 2011. Para tanto, a economia teria crescer mais do que 0,8% no 4º trimestre, e há um entendimento do mercado que a economia brasileira apresentará uma modesta recuperação neste final de ano, superando a estagnação verificada no 3º trimestre. O Ministério da Fazenda trabalhava com uma previsão de crescimento em torno de 3,8% para 2011, considerada muito otimista pelo mercado. Mas o próprio Ministro Guido Mantega já admitiu que o PIB não chegará a este índice, por conta não só do desempenho nulo do 3º trimestre, mas também pela revisão dos valores feita pelo IBGE para os dois primeiros trimestre do ano. Para 2012, o governo trabalha com previsão de, no mínimo, crescimento do PIB de 4%, podendo chegar a 5% dependendo de algumas novas ações governamentais, como uma expansão do investimento público, e de outras já confirmadas, como o aumento previsto para o salário mínimo em janeiro, as desonerações do SIMPLES e do Plano Brasil Maior, o impacto defasado das reduções na taxa SELIC ocorridas no 2º semestre deste ano, e a perspectiva de crescimento do crédito livre em 2012.
  • Governo anuncia medidas para estimular consumo interno e investimentos: O Ministério da Fazenda anunciou um pacote de medidas de estimulo à economia, voltadas ao consumo doméstico e aos investimentos, que envolve desonerações fiscais para o setor produtivo e para o mercado financeiro. No caso da Indústria, foi reduzido o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha branca (que inclui geladeiras, fogões e máquinas de lavar). Para se ter uma idéia, o IPI cairá de 4% para 0% no caso dos fogões, de 15% para 5% nas geladeiras e congeladores, de 20% para 10% nas lavadoras automáticas, e de 10% para 0% nos tanquinhos. Com relação aos investimentos, o governo anunciou a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito ao consumidor, de 3% para 2,5%, além de eliminar o IOF de 2% que incide sobre a aplicação de investidores estrangeiros em ações na BOVESPA. O setor de alimentos também foi beneficiado, com a redução do PIS/COFINS para as massas, de 9,25% para 0%. Em termos de renúncia fiscal, as medidas adotadas pelo governo irão representar, pelo menos, R$ 1 bilhão em 2012. As principais redes varejistas já anunciaram que irão repassar a redução do IPI para os consumidores. Pelos cálculos da FECOMERCIO-SP (Federação do Comércio de São Paulo), os descontos seriam de 3% a 5% nos preços finais dos produtos. Para completar, a Caixa Econômica Federal anunciou, depois das medidas do governo, que irá liberar R$ 5 bilhões de crédito para aquisição de eletrodomésticos, móveis, eletroeletrônicos e outros bens de consumo.
  • Real fecha novembro em R$ 1,8109: O câmbio vem se mostrando muito volátil nos últimos meses. Depois de ter apresentado alta desvalorização perante o Dólar no mês de setembro (fechando o mês em R$1,8800), o Real voltou a se valorizar fortemente em outubro (quando fechou cotado a R$1,704). Em novembro, porém, voltou a se desvalorizar também fortemente, fechando o mês em R$1,8109 (conforme dados do Banco Central). Com isso, o Dólar encerrou novembro com alta de 4,73% em relação a outubro, e valorização em 2011 de 9,81%. O Real também se desvalorizou perante o Euro, fechando o mês de novembro em R$ 2,4416, ante R$2,3610 verificado em outubro. Especificamente com relação ao Dólar, a previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2011, está em R$ 1,79, conforme o último Boletim Focus de novembro. Para 2012, a taxa de câmbio está estimada em R$ 1,75.
  • COPOM reduz mais uma vez a taxa SELIC para 11,00% ao ano: Na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), realizada em 29 e 30 de novembro, a taxa SELIC foi reduzida mais uma vez em 0,50 ponto percentual, chegando a 11,00% ao ano, reforçando a estratégia do Banco Central em reduzir os juros para estimular o crescimento econômico e mitigar os efeitos da crise econômica mundial no Brasil. Mesmo com a redução da SELIC, o país segue liderando o ranking mundial de juros reais, com uma taxa de 5,1% (descontada da taxa de 11% a inflação dos últimos 12 meses). Somente um corte de 3,5 pontos percentuais retiraria do Brasil da 1ª posição entre os maiores pagadores de juros do mundo (ranking que envolve 40 países). A próxima reunião do COPOM acontecerá nos dias 17 e 18 de janeiro de 2012, e uma continuidade na redução da taxa de juros ajudaria o governo a economizar com o custo da dívida pública federal (remunerada pela SELIC) e no comportamento do mercado de câmbio, contribuindo para moderar um avanço na valorização do Real frente ao Dólar. O Boletim Focus, do Banco Central, projeta para o final de 2012 a taxa SELIC em 9,75%.
  • IPCA de novembro fica em 0,52%: Índice que mede a inflação oficial brasileira voltou a se acelerar em novembro, passando de 0,43% em outubro para 0,52% neste último mês. Com isso, o resultado em 2011 aponta uma inflação acumulada de 5,97%, acima da taxa de 5,25% verificada no mesmo período do ano passado, praticamente 1,5% acima do centro da meta estipulada pelo governo para o ano, que era de 4,5%. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 6,64%. A expectativa do Banco Central é de que o IPCA encerre 2011 em até 6,5%, no topo da meta de inflação estipulada pelo próprio governo. O avanço do IPCA em novembro não condiz com o discurso do Banco Central de que a inflação está sob controle e em desaceleração por causa da crise econômica mundial e o baixo crescimento econômico brasileiro. A inflação parece estar ancorada no crédito interno, estimulado pelo próprio governo para aquecer a economia. Como o Banco Central deve manter a estratégia de continuar reduzindo a taxa SELIC em 2012, a solução poderia ser, justamente, segurar um pouco mais o crédito. Trata-se de uma decisão difícil e controversa, mas a prioridade deveria ser controlar a inflação ou fomentar o crescimento econômico? Para refletir...
  • Grupos ‘Alimentação e Bebidas’ e ‘Despesas Pessoais’ foram os vilões da inflação em novembro: Os preços dos ‘Alimentos e Bebidas’ (de 0,56% em outubro para 1,08% em novembro) causaram impacto de 0,25 ponto percentual no IPCA, com destaque para as carnes. Nas ‘Despesas Pessoais’ (de 0,22% em outubro para 0,88 em novembro), os destaques foram serviços de manicure, cabeleireiro e costureira.
  • Banco Central mantém previsão de inflação para 2011 em 6,50%: Através de seu último Boletim Focus de novembro, o Banco Central manteve a projeção para a inflação brasileira em 2011 (com base no IPCA), de 6,50%, feita no início do mês. Para 2012, a projeção é de 5,49% (queda de 0,10 ponto percentual em relação à previsão do início do mês, que era de 5,59% para o próximo ano).
  • IGP-M desacelera pouco em novembro: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada “inflação do aluguel”, desacelerou pouco em novembro, atingindo 0,50% no mês, frente 0,53% verificado em outubro. A taxa ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado. No ano, o IGP-M acumula alta de 5,22%, e de 5,95% nos últimos 12 meses. A projeção do Banco Central, em seu último boletim Focus de novembro, aponta o IGP-M encerrando 2011 em 5,75%, 0,03 ponto percentual abaixo da previsão feita no final de outubro (5,78%). Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em novembro houve desaceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), de 0,68% para 0,52%, mas aceleração nos outros dois índices que compõem o IGP-M – alta de 0,43% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), ante 0,26% verificado em outubro, e alta de 0,50% no Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), frente a 0,20% verificado no mês passado.
  • Inadimplência aumenta 5,9% em outubro: Conforme apontou o indicador da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, o número de consumidores inadimplentes incluídos no Serviço de Proteção ao Crédito registrou aumento de 5,9% em outubro frente a setembro deste ano. Em comparação a outubro do ano passado, a alta foi de 4,78%. No acumulado do ano, a alta é de 5,21%, sendo tal resultado reflexo do ciclo de aperto monetário empreendido pelo Banco Central até julho, e a conseqüente aplicação contínua dessa medida no custo médio do crédito praticado pelo mercado.
  • País gerou 126.143 novas vagas de emprego em outubro: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, em outubro, 126.143 novas vagas de emprego com carteira assinada. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a geração de empregos no Brasil recuou 38,4%, sendo este o pior resultado para outubro desde 2008. No acumulado do ano até outubro, foram criadas 2.241.574 novas vagas, sendo este montante também abaixo do resultado registrado em igual período de 2008, quando foram criados 2.337.161 de empregos com carteira assinada. Como projetado por este boletim desde julho, a meta deste ano ficará abaixo dos 2,5 milhões de novos empregos gerados. O próprio governo, que inicialmente projetava 3 milhões de novos empregos formais no Brasil em 2011, reduziu sua meta para 2,7 milhões, e agora já admite um saldo em torno de 2,4 milhões. Especificamente com relação aos dados do mês de outubro, os principais setores responsáveis pela expansão do emprego no Brasil foram os Serviços (+77.201 novos postos), o Comércio (+60.878 novos postos), a Construção Civil (+10.298 novos postos) e a Indústria da Transformação (+5.206 novos postos). O que se observa, de fato, é que a crise internacional e a perspectiva de baixo crescimento da economia brasileira para os próximos meses já está afetando o mercado de geração de empregos no país.
  • Economia mundial está à beira de uma nova e profunda recessão do emprego: Esta é a conclusão do “Relatório sobre o Trabalho no Mundo 2011: os mercados a serviço do emprego”, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo o estudo, o mercado de trabalho no mundo se encontra no limite de seis meses que leva para uma desaceleração econômica impactar o emprego. Ainda conforme o relatório, 2/3 das economias avançadas e metade das economias emergentes e em desenvolvimento já atravessam um movimento de desaceleração do emprego (como já podemos observar no Brasil). A OIT calcula que nos próximos dois anos a economia mundial teria de criar 80 milhões de postos de trabalho para que o cenário retomasse os índices verificados antes da crise financeira internacional de 2008. Destas vagas, 27 milhões teriam que ser criadas nos países desenvolvidos, fato que se mostra cada vez mais difícil de acontecer. Segundo a entidade, se foram mantidas as tendências atuais, seriam necessários pelo menos cinco anos para que o emprego voltasse aos níveis anteriores à crise nas economias avançadas, um ano depois do previsto pela própria OIT no relatório do ano passado. Uma das conseqüências do aumento do desemprego é o correspondente aumento da tensão social em todo o mundo. Alguns dados corroboram esta perspectiva: em mais de 45 dos 118 países industrializados a tensão social vem aumentando, e 69 países registraram aumento no percentual de cidadãos que perceberam uma piora no seu nível de vida em 2010 comparado com 2006. Como soluções, a OIT defende o fortalecimento de programas em favor do emprego e investimento na economia real, além de aumentos nos salários do trabalhador.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Outubro de 2011


Produzido por Frederico Mafra
Consultor Sênior da Global ON Consultores Associados e Professor do IBMEC

O mês de outubro destaca a volta da valorização do Real frente ao Dólar, face às notícias positivas quanto aos efeitos da crise econômica na Europa. O COPOM mantém sua estratégia de redução gradual da taxa SELIC para o final do ano, e os principais indicadores de inflação no país apresentam sinais de desaceleração. Outros indicadores de outubro: PIB (novas estimativas de redução para 2011 e 2012, confirmando a tendência de desaceleração da economia brasileira), inadimplência (reduzindo-se pela 1ª vez após 6 altas consecutivas) e mercado de trabalho (com saldo positivo no mês, mas bem abaixo do desempenho obtido em 2010).
  • Real volta a se valorizar fortemente em relação ao Dólar em outubro: Depois de ter apresentado alta desvalorização perante o Dólar no mês de setembro, o Real voltou a se valorizar fortemente em outubro. No final de setembro valia R$ 1,8800, mas fechou outubro cotado a R$ 1,704. Com isso, o Dólar encerra o mês com queda acumulada de 9,93%, e valorização em 2011 de apenas 3,21% (chegou a ser de mais de 14% no mês passado). O Real também se valorizou perante o Euro, fechando o mês de outubro em R$2,3610, ante R$2,4938 verificado em setembro. Especificamente com relação ao Dólar, a previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2011, está em R$ 1,75, conforme o último Boletim Focus de outubro, mas a previsão do mercado é que volte a cair para algo em torno de R$ 1,70. Para 2012, a nova taxa de câmbio passou de R$ 1,70 (início de outubro) para R$ 1,75 (final de outubro). De acordo com analistas de mercado, o acordo entre os líderes europeus para combater a crise da dívida na região trouxe de volta a tranqüilidade aos mercados, amenizando temores quando a um contágio da crise pela Europa e seus efeitos sobre a economia global, favorecendo o retorno dos investimentos a países com fundamentos sólidos e elevados rendimentos, como o Brasil. Além disso, os agentes econômicos tendem a olhar com mais atenção a taxa básica de juros da economia brasileira, que mesmo em processo de queda, ainda é uma das maiores (e mais atrativas) do mundo. Apesar dos investidores acreditarem em, pelo menos, mais duas quedas de 0,5 ponto percentual até o início de 2012, a SELIC remunera os títulos públicos, atraindo mais investidores estrangeiros, e dessa forma, mais dólares para o país, fortalecendo a valorização do Real (ou a desvalorização da moeda americana frente ao Real).
  • COPOM reduz mais uma vez a taxa SELIC para 11,50% ao ano: Na última reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM), realizada em 18 e 19 de outubro, a taxa SELIC foi reduzida mais uma vez em 0,50 ponto percentual, chegando a 11,50% ao ano, e dando seqüência à estratégia do Banco Central de reduzir os juros para estimular o crescimento econômico e mitigar os efeitos da crise econômica mundial no país. Tal redução já era esperada pelo mercado. O governo e o próprio Banco Central continuam defendendo a tese de que se desenha um cenário de convergência da inflação brasileira para a meta em 2012, algo ainda controverso entre os economistas e especialistas do mercado. O que de fato se observa é que o Banco Central sinaliza, infelizmente, uma maior tolerância com a inflação, acreditando que os principais indicadores que medem a variação dos preços no país devem começar a cair neste último trimestre. E os analistas do mercado ainda acreditam que esse movimento de redução da SELIC pode ser seguido por novas quedas, caso a perspectiva sobre o PIB continue apresentando desaceleração econômica. Mesmo com a decisão de se reduzir mais uma vez a taxa SELIC, o Brasil mantém a 2ª posição no ranking mundial dos maiores juros nominais, envolvendo 40 países. O país só perde para a Venezuela, com taxa de 17,37% ao ano. Mas com relação aos juros reais, o Brasil se mantém no topo da lista, com taxa de 5,5% ao ano. O boletim Focus, do Banco Central, projeta para o final de 2011 a taxa SELIC em 11,00%. A próxima reunião do COPOM, a última de 2011, acontecerá nos dias 29 e 30 de novembro.
  • O que há de positivo e negativo na decisão de se reduzir a taxa de juros: Com relação à estratégia do Banco Central em reduzir gradativamente a taxa de juros no país, alguns analistas destacam pontos positivos, como uma maior economia, por parte do governo, com o custo da dívida pública federal (remunerada pela SELIC), e o comportamento do mercado de câmbio, que tende a ser mais moderado frente ao avanço da valorização do Real perante o Dólar. Por outro lado, entretanto, há alguns pontos negativos, como já destacados em várias edições deste boletim. O principal refere-se, justamente, à mudança de postura do Banco Central em não mais tentar garantir a estabilidade de preços via ajuste na taxa de juros. Como os indicadores de inflação no Brasil ainda não apresentaram sinais de desaceleração contundente, tais decisões de corte na taxa SELIC demonstram, claramente, uma mudança de postura, com maior tolerância à inflação, em prol de maior crescimento. Essa linha de pensamento é defendida pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega, cuja influência política sobre o Banco Central é evidente neste governo da presidente Dilma (diferentemente do que ocorria no governo do ex-presidente Lula, quando Henrique Meirelles, então presidente do Banco Central, demonstrava total autonomia perante a pressão política do Ministro da Fazenda).
  • IPCA-15 de outubro fica em 0,42%: Prévia do índice que sinaliza a inflação oficial brasileira (IPCA) apresentou desaceleração em outubro, passando de 0,53% verificado em setembro para 0,42% neste mês. Com isso, o resultado em 2011 aponta uma inflação acumulada de 5,48%, bem acima da taxa de 4,17% verificada no mesmo período do ano passado. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA-15 situa-se em 7,12%. Os grupos de produtos que apresentaram maior aumento, entre setembro e outubro, foram ‘Habitação’ (de 0,49% para 0,85%) e ‘Saúde e Cuidados Pessoais’ (de 0,40% para 0,47%). Já os grupos que apresentaram maior redução foram ‘Vestuário’ (de 1,00% para 0,38%), ‘Alimentação e Bebidas’ (de 0,72% para 0,52%) e ‘Despesas Pessoais” (de 0,52% para 0,22%).
  • Banco Central reduz previsão de inflação em 2011 para 6,50%: Através de seu último Boletim Focus de outubro, o Banco Central reduziu a projeção para a inflação brasileira em 2011 (com base no IPCA), de 6,52%, feita no início do mês, para 6,50%, feita no final do mês. Para 2012, a projeção é de 5,59%.
  • IGP-M desacelera para 0,53% em outubro: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada “inflação do aluguel”, desacelerou em outubro, atingindo 0,53% no mês, frente 0,65% verificado em setembro. O IGP-M acumula alta de 4,70% em 2011, e nos últimos 12 meses, é de 6,95%. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de outubro, aponta o IGP-M encerrando 2011 em 5,80%, baixa em relação à projeção feita no final de setembro, de 5,82%. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em outubro houve desaceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), de 0,74% para 0,68% e do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 0,59% em setembro para 0,26% neste mês, mas aceleração do Índice Nacional de Custo da Construção Civil (INCC), de 0,14% para 0,20%.
  • Banco Central reduz estimativa para o PIB em 2011: De acordo com o último Boletim Focus de outubro, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2011, de 3,51%, verificada no início de outubro, para 3,29% no final deste mês. Para 2012, a projeção também é de queda, de 3,70%, feita no início do mês, para 3,50% neste último Boletim Focus. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu em 0,3 ponto percentual a projeção de crescimento do Brasil para 3,8% neste ano. De acordo com as previsões, o Brasil terá o segundo menor crescimento da América do Sul, ficando atrás somente da Venezuela e abaixo da média da região. A taxa média de crescimento no mundo está estimada em 4% pelo FMI. Em 2012, o Fundo afirma que o Brasil deve crescer 3,6%, enquanto a economia mundial vai avançar a uma taxa também de 4%. O Ministério da Fazenda também deve reduzir sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano para algo entre 3,5% e 4%, no próximo Decreto Orçamentário que sai em novembro. A estimativa oficial até então considerava crescimento de 4,5% para 2011, bem acima do esperado pelo mercado e pelo próprio Banco Central. Para 2012, o governo ainda trabalha com previsão de expansão de 5%, mas até mesmo esta projeção está sujeita a reavaliações durante a tramitação do Orçamento do ano que vem no Congresso.
  • Inadimplência do consumidor cai 3,0% em setembro: Conforme pesquisa da SERASA, a inadimplência do consumidor caiu 3,0% em setembro, na comparação com agosto. Foi a primeira queda mensal do índice, após seis altas consecutivas. No acumulado do ano, a inadimplência repetiu o mesmo índice observado em agosto, de 23,4%, e em comparação com setembro de 2010, registrou alta de 23,3%. De acordo com os economistas da SERESA, a antecipação do 13º salário dos aposentados, a redução dos juros da economia e a menor quantidade de dias úteis de setembro, frente a agosto, fizeram com que a inadimplência apresentasse recuo neste mês. As dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água) apresentaram queda de 3,3%; os cheques sem fundos caíram 10,3%; as dívidas com bancos declinaram 0,9%; e os títulos protestados apresentaram queda de 13,9%. Já os dados do Banco Central apresentaram estabilidade no nível de inadimplência em setembro, na comparação com agosto, registrando 6,8% do total das operações. Dessa forma, a taxa se mantém como a mais alta desde março de 2010. Na comparação com setembro de 2010, houve alta de 0,8 ponto percentual. As dívidas vencidas de 15 a 90 dias representaram 6,4% das operações, tendo subido 0,2 p.p. em relação a agosto, e 1,1 p.p. maior quando comparado com setembro de 2010. Já a inadimplência com cheque especial e aquisição de bens registraram queda de 0,2 p.p. cada uma, ficando em 9,4% e 13,7%, respectivamente. E a inadimplência da modalidade crédito pessoal encerrou o mês em 5,0%, mesmo patamar de agosto.
  • País gerou 209.078 novas vagas de emprego em setembro: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, em setembro, 209.078 novas vagas de emprego com carteira assinada. Apesar do saldo ter sido superior ao verificado no mês de agosto (190.446 novas vagas), ficou abaixo dos 246.875 postos de trabalho gerados em setembro de 2010 (queda de 15%), confirmando a desaceleração na dinâmica do emprego no Brasil, e as projeções feitas por este boletim de que a meta deste ano ficará abaixo dos 2,5 milhões de novos empregos gerados. Para o Ministro do MTE, Carlos Lupi, entretanto, a meta do governo continua sendo de 2,7 milhões de novos empregos para 2011 (a meta anterior era de 3 milhões). E para chegar nesta meta, o país deverá apresentar uma média de abertura de novos postos de trabalho de 207 mil, de outubro a dezembro. Especificamente com relação aos dados do mês de setembro, os principais setores responsáveis pela expansão do emprego no Brasil foram os Serviços (91.774 postos), a Indústria de Transformação (66.269 postos), o Comércio (42.373 postos) e a Construção Civil (24.977 postos). O resultado de setembro de 2011 foi o pior para o mês em cinco anos. Para o Ministro Lupi, mesmo assim os dados ainda são positivos, pois estão sendo gerados novos empregos em meio à crise econômica internacional e à crescente competitividade da indústria da transformação com produtos importados. E elogiou a estratégia do COPOM de manter a trajetória de queda da taxa SELIC para as próximas reuniões, como fator para estimular a criação de empregos, ao invés do investimento especulativo. No acumulado do ano até setembro, já foram criadas 2.079.188 novas vagas de emprego no país.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

TERMÔMETRO ECONÔMICO - Setembro de 2011

Produzido por Frederico Mafra
Consultor Sênior da Global ON Consultores Associados e Professor do IBMEC

O mês de setembro destaca a forte valorização do Dólar perante o Real, modificando a trajetória observada desde o início do ano até agora. Outros indicadores de setembro: inflação (com maior crescimento e expectativa cada vez mais forte de pressão para o final do ano), PIB (com novas estimativas de redução para 2011 e 2012, demonstrando sinais claros de desaceleração), inadimplência (em elevação), e mercado de trabalho (com novas projeções indicando que talvez o saldo de 2011, apesar de positivo, não alcance o patamar verificado em 2010).
  • Desvalorização do Real marca o mês de setembro: Ao contrário do que vinha acontecendo durante todo o ano de 2011, o Real se desvalorizou em setembro perante o Dólar, saindo de R$ 1,5864 no final de agosto para R$ 1,8800 no final de setembro. Com isso, a moeda americana se tornou a principal aplicação do mês, com ganho de 16,26%, e garantindo até o fechamento deste boletim, ganho de 13,78% no ano. O Euro também se valorizou perante o Real, fechando o mês de setembro em R$ 2,4938, ante R$ 2,2851 verificado em agosto. Especificamente com relação ao Dólar, a previsão para a taxa de câmbio, feita pelo Banco Central para 2011, aumentou para R$ 1,73, conforme o último Boletim Focus de setembro. E para 2012, a nova taxa de câmbio passou de R$ 1,65 (início de setembro) para R$ 1,70 (final de setembro).
  • Seis razões que explicam a valorização do Dólar em setembro: Algumas razões explicam esta mudança na taxa de câmbio, e a forte desvalorização da moeda brasileira. Em primeiro lugar, a busca por ativos mais seguros, como títulos do governo americano e Dólar, devido às turbulências verificadas nas bolsas de todo o mundo, principalmente pelas más notícias produzidas na Zona do Euro. Em segundo lugar, há uma tendência de saída de recursos do Brasil para capitalização das empresas no exterior (multinacionais), e essa falta de liquidez pressiona a alta da moeda americana. Em terceiro lugar, existe a própria especulação do mercado, que se aproveita desse momento para também influenciar na taxa de câmbio. Em quarto lugar, acredita-se que o Dólar estava muito barato e que a alta deste mês faz parte de um ajuste natural, sendo o valor de R$1,80 o novo piso do mercado. Em quinto lugar, alguns economistas afirmam que, na realidade, não é o Dólar que se fortaleceu, mas sim o mundo que ficou mais fraco, e com isso, há uma procura maior pelo Dólar, moeda que historicamente sempre foi forte. E em último lugar, o corte na taxa de juros SELIC, feito pelo governo brasileiro na última reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária), tornou o país um pouco menos atraente para o Dólar dos investidores estrangeiros, dada a remuneração que ficou menor. Como a tendência (infelizmente) é que o governo continue cortando juros, o país fica cada vez menos atrativo para o Dólar, tornando-o, em contrapartida, mais forte.
  • Dólar mais forte deve deixar Natal mais caro para os consumidores: As mercadorias importadas possivelmente chegarão às prateleiras das lojas mais caras neste Natal, devido à forte valorização do Dólar verificada em setembro. Vestuário, alimentos, bebidas, ornamentos natalinos trazidos da China e produtos fabricados com componentes importados (como aparelhos de informática e eletrônicos) são alguns dos tipos de produtos que deverão estar mais caros a partir de agora. Analistas do mercado ainda não têm clareza de quanto será este aumento, até porque as empresas não sabem em que ponto a taxa de câmbio irá se estabilizar, além dos repasses dependerem do poder de negociação de cada varejista e do interesse de cada indústria em ganhar participação de mercado e/ou lucrar com o Natal. Vale ressaltar que a possível elevação dos preços será mais um componente a pressionar a inflação no final do ano.
  • IPCA de setembro fica em 0,53%: Índice que mede a inflação oficial brasileira continua subindo, e em setembro apresentou variação positiva de 0,53%, ante 0,37% verificado em agosto, e 0,16% em julho. Com isso, o resultado em 2011 aponta uma inflação acumulada de 4,97%, bem acima da taxa de 3,60% verificada no mesmo período do ano passado. Além disso, já ultrapassou o centro da meta estipulada pelo governo para o ano, que era de 4,50%. Considerando os últimos 12 meses, o IPCA situa-se em 7,31%, o mais alto desde maio de 2005. Fica evidente que a análise feita pelo Banco Central de que a inflação não iria se acelerar no final de 2011 foi, no mínimo, equivocada, e que a decisão de corte de 0,50 ponto percentual na taxa SELIC caracteriza-se cada vez mais como uma decisão política, e não apenas econômica.
  • Grupos ‘Transportes’ e ‘Alimentação e Bebidas’ foram os vilões da inflação em setembro: Os transportes aumentaram 0,78% em setembro, e contribuíram com 0,15 ponto percentual no IPCA do mês, sendo as passagens aéreas o produto que exerceu o principal impacto. Destaque também para a alta dos preços dos combustíveis e seguros. Já os preços dos alimentos e bebidas aumentaram 0,64% em setembro, também causando impacto de 0,15 ponto percentual no IPCA. Vários produtos ficaram mais caros, com destaque para o feijão carioca, açúcar refinado e cristal, frango e leite. Com relação a este grupo de produtos, especificamente, o governo já demonstra preocupação com a pressão no índice de inflação que se desenha para o final do ano, dado o período de entressafra na produção de grãos, carne bovina, cereais e etanol, as recentes quebras de safra, sobretudo na produção de trigo e milho de inverno, os baixos estoques mundiais e a firme demanda externa por commodities. Outros grupos que também influenciaram o IPCA de setembro foram ‘Habitação’ (com destaque para o gás de botijão, a taxa de água e esgoto e os aluguéis residenciais), ‘Vestuário’ e ‘Despesas Pessoais’ (com destaque para os salários dos empregados domésticos). Já o grupo ‘Artigos de residência’ apresentou queda de -0,01%.
  • Banco Central aumenta previsão de inflação em 2011 para 6,52%: Através de seu último Boletim Focus de setembro, o Banco Central elevou a projeção para a inflação brasileira em 2011 (com base no IPCA), de 6,38% feita no início do mês, para 6,52% no final do mês. Para 2012, a projeção é de 5,53%, sendo que esta tem aumentado pela 5ª semana consecutiva. De acordo com o próprio Banco Central, a probabilidade da inflação estimada para o Brasil em 2011 ultrapassar o teto da meta do governo, que é de 6,5%, subiu de 22% para 45%. Para o mercado, a chance do IPCA superar o teto da meta neste ano avançou de 18% para 44%.
  • IGP-M acelera para 0,65% em setembro: O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), a chamada “inflação do aluguel”, se acelerou para 0,65% em setembro, ante 0,44% verificada em agosto. O IGP-M acumula alta de 4,15% em 2011, e nos últimos 12 meses, é de 7,46%. A projeção do Banco Central, em seu último Boletim Focus de setembro, aponta o IGP-M encerrando 2011 em 5,82%, alta de 0,21% em relação à projeção feita no final de agosto (de 5,61%). Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em setembro houve aceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) –0,74% - e do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – 0,59% -, e recuo do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) – 0,14%, frente a 0,16% verificado em agosto.
  • Banco Central reduz estimativa para o PIB em 2011: De acordo com o último Boletim Focus de setembro, o Banco Central reduziu mais uma vez a previsão do PIB para 2011, de 3,67% verificada no início de setembro, para 3,51%. Para 2012, a projeção também é de queda, de 3,84% feita no início do mês, para 3,70% neste último Boletim Focus. O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda continua acreditando numa taxa de crescimento de 4,0% para 2011, apesar de já aceitar rever tais projeções, caso a crise internacional se agrave nos próximos meses.
  • Inadimplência do consumidor aumenta 3,0% em agosto: Conforme pesquisa da SERASA, a inadimplência do consumidor apresentou alta de 3,0% em agosto. No acumulado do ano, a inadimplência acumula aumento de 23,4%, tendo crescido 29,2% em relação ao mesmo período de 2010. Segundo a entidade, os juros elevados no crédito e as compras parceladas feitas no Dia dos Pais impactaram a inadimplência do consumidor em agosto, com o aumento nos registros de dívidas não honradas junto aos bancos e dos cheques sem fundo. De janeiro a agosto, o valor médio das dívidas com títulos protestados subiu 14,8%, enquanto os cheques sem fundo e as dívidas com bancos aumentaram 8,2% e 0,5%, respectivamente, sobre igual período de 2010. Dados do Banco Central também confirmam o aumento da inadimplência: em agosto, o índice apresentou o maior patamar desde janeiro do ano passado – 5,3% -, com os atrasos superiores a 90 dias aumentando 0,1 ponto percentual em relação a julho, bem como a inadimplência para a pessoa física (para 6,7%) e para as empresas (para 3,9%). Para economistas da SERASA, o pagamento da 1ª parcela do 13º salário, no final de novembro, poderá dar um fôlego extra às finanças do consumidor, o qual deverá priorizar o pagamento das dívidas assumidas anteriormente.
  • País gerou 190.446 novas vagas de emprego em agosto: Segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados no Brasil, em agosto, 190.446 novas vagas de emprego com carteira assinada. Entretanto, tal resultado ficou bem abaixo do número de empregos criados no mesmo mês do ano passado (299.415 postos), confirmando uma tendência de desaceleração na dinâmica do emprego no Brasil. Os principais setores responsáveis pela expansão do emprego em agosto foram os Serviços (94.398 postos) e o Comércio (44.336 postos). Destaque também para a Indústria de Transformação (35.914 postos) e a Construção Civil (31.613 postos). Apesar disso, todos os setores apresentaram desempenho inferior ao verificado em 2010, especialmente Comércio e Construção Civil, cujos resultados eram fundamentais para o alcance da meta do governo de gerar 3 milhões de novos empregos em 2011. Apesar do resultado positivo observado no mês, confirma-se a análise feita no boletim anterior de que o ritmo de crescimento do emprego no país em 2011 é mais lento em relação a 2010, ano em que o Brasil atingiu, ao seu final, 2,5 milhões de novos empregos. Dessa forma, a probabilidade do governo atingir a meta proposta no início do ano de 3 milhões de novos empregos tornou-se praticamente impossível de ser atingida. A não ser que setembro apresente um saldo positivo extraordinário na geração de novas vagas de emprego, pode-se inferir que, além da meta inicial do governo não ser atingida, o saldo do ano poderá ficar aquém do verificado em 2010.